>
O metrô de Buenos Aires é o mais antigo da América Latina. Direto escuto isso sendo dito com todo orgulho pela imprensa e pelos nativos portenhos. De fato a linha A, que começa embaixo da Casa Rosada e acompanha boa parte da Avenida de Mayo e depois a Rivadavia é um cartão postal único.
Mas o ser humano se acostuma e tudo aquilo que é bonito perde o encanto quando se torna comum.
Viajar de metrô aqui é o mais perto do inferno que você pode chegar. É embaixo da terra, lotado de gente (muitas vezes fedida) e não tem a mínima ventilação. Usar a linha C, que liga Retiro a Constituicion na hora do rush é emagrecimento na certa. É uma verdadeira sauna.
O serviço, subsidiado pelo governo, cobra ridículos 90 centavos dos passageiros e o serviço é de péssima qualidade. A maioria dos trens é do tempo do guaraná de rolha, a frequência dos serviços varia de acordo com o humor dos funcionários e a limpeza das estações e vagões é bem questionável. Além do mais existe todo um festival de pedintes e vendedores ambulantes, que por mais que você tenha compaixão, enchem o saco.
Hoje os funcionários, que tem salário muito maior que a maioria da população, resolveram fazer mais uma greve. Na verdade foi a interrupção do sistema. Um trem que geralmente vem de 5 a 6 minutos, veio a cada 15, e o inferno foi instalado. As estações que já são bem quentes no verão, alguns graus a mais do que a temperatura na rua, ficaram amontoadas de gente. Muita gente é igual a mais calor. Imagina o cheiro de murrinha que não ficou o lugar. Na superfície a cidade entrou em Chaos. Congestionamentos que trancavam cruzamentos, buzinaços
Felizmente desde que a empresa mudou de escritório não uso mais o “subte”. Minha viagem de ida no 168 é religiosa. Buenos Aires é muito mais bonita e fresca na parte de cima.
