Juana Molina

3 vozes femininas argentinas pra você se apaixonar

Provavelmente ainda não comentei aqui, mas além de jornalista (full-time) e tradutora (part-time), há mais de dez anos me divirto botando música em festas pra turma dançar. É diferente de ser DJ. Prefiro dizer que sou “discotecária”, ou, em outras palavras: uma pesquisadora musical que não tem a obrigação de mixar tudo direitinho nem se sente tão mal quando pausa uma faixa sem querer no auge da pista (acontece, fazer o quê?).

3 vozes femininas argentinas pra você se apaixonar

Como todo DJ ou discotecário adora fazer listas, selecionei abaixo três tesourinhos para quem quiser conhecer algumas das cantoras argentinas mais sensacionais do momento, na minha humilde opinião.

Para ouvir al palo, como dizem por aqui.

Sofia Viola

Sofia Viola

Foto: Flor Carrozza

Conheci essa pequena diaba em 2013, quando saiu seu disco mais recente, e foi amor à primeira audição. Aí, lendo sua biografia, descubro que a peste respira música desde criança, e que na adolescência, quando já cantava, tocava violão e compunha, seu pai lhe disse: “para compor tango você tem que se apaixonar, se embebedar, desapaixonar e vomitar”. Achei muito digno. Mas Sofia Viola não virou uma cantora de tango (embora tenha alguns no repertório, como o louco Menstruatango). Seu som está mais para um jazz-folclórico-punk-circense visceral, com uma pitada de Tom Waits, Billy Holiday e Chuck Berry.

Sofia tem uma maturidade musical tão absurda que é difícil acreditar que tenha apenas 26 aninhos – e que nem chegou a terminar o ensino médio. Mas não duvide: essa guria sabe muito bem o que faz. Semana passada, realizei o sonho de vê-la no palco (do Boris Club, uma casa de shows fantástica em Palermo, com a melhor acústica e as empanadas mais caras da galáxia). Na verdade, ela estava ali para o show de abertura da Soema Montenegro, mas por mim não precisava ter descido nunca mais do palco. Com apenas voz e charango (aquele violãozinho andino), Sofia Viola mostrou um repertório lindo, sensível, anárquico e debochado. Parece contraditório, e é. Mas é essa mistura que faz dela uma artista tão genial, como você pode conferir aqui, aqui e aqui.

Mariana Baraj

Mariana Baraj

O trabalho de investigação musical da minha xará segue uma linha mais clássica do folclore de raiz, à la Mercedes Sosa e Violeta Parra, mas com um ar contemporâneo. Em seu repertório não faltam zambas, gatos, chacareras e huaynos, ritmos latinos pouco conhecidos no Brasil, porém muito comuns no noroeste da Argentina, onde vive, e onde é forte a influência boliviana. Anos atrás, vi um concerto da Mariana em Curitiba e virei fã. Seu disco Margarita y Azucena, produzido pelo talentosíssimo Lisandro Aristimuño, tocou sem parar por algum tempo lá em casa.

Pra mim, sua versão de Maldigo del alto cielo, da Violeta Parra, é uma pequena joia. Mariana canta e toca muitos instrumentos, mas é na percussão e na voz que estão sua maior força. Apesar de seus discos serem superbem produzidos, a energia que ela transmite ao vivo é incomparável. Mais sobre ela aqui, ó.

Juana Molina

Juana Molina
Genialmente insana é um bom elogio para Juana Molina. Apesar de ela estar na estrada desde o início dos anos 1990 e ter uma vasta discografia, só fui conhecer seu trabalho em 2010, quando pesquisava sobre música argentina contemporânea para o suplemento cultural que eu estava escrevendo. Pouco depois, descobri que era ela quem fazia aquelas vozes estranhas neste curta-metragem da Lucrecia Martel.

Em 2002, seu disco Tres Cosas foi apontado pelo New York Times como um dos dez melhores do ano, ao lado de gente como Björk e Brian Wilson. Sua voz melódica, sobreposta a arranjos eletrônicos minimalistas, cria um efeito hipnótico difícil de definir. É tudo muitíssimo enigmático, climático, pós-moderno. Juana Molina tem um projeto estético de vanguarda tremendamente refinado. Além do mais, seus clipes são ótimos e aquele cabelo dela é quase uma entidade. (É disso que estou falando. E disso.)

Nessa terça-feira, 8 de setembro, tem show dela no Ciudad Cultural Konex, dentro da programação da Bienal de Arte Joven, em Buenos Aires. A entrada é grátis. Viva!

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4 comentários

  1. Pingback: Promoção de passagens para Buenos Aires | 360meridianos

  2. Boa tarde!
    Como faço pra relatar minha viagem à capital argentina? Gostaria de agradecê-los por todas as informações presentes no site que me ajudaram imensamente. Além disso também quero contar como foi minha experiência.

    Abraço!

  3. Pingback: Curtindo um som na Ciudad Cultural Konex | Aires Buenos | Turismo, guias de viagem e segredos de Buenos Aires

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