30 anos da Guerra das Malvinas

Segunda-feira, dia 2 de abril, foi feriado aqui na Argentina. O país todo lembrou os 30 anos do início da Guerra das Malvinas, esse conflito que matou vários argentinos e mas ainda está muito vivo em discussões em todo  opaís.

Raramento dou a minha opinião sobre assuntos argentinos, esse post é uma exceção. Acho que sempre me falta entender todo o contexto já que não sou daqui, ainda mais sobre a causa das Malvinas. Sei que esse assunto vai muito além do racional. Mexe muito com a paixão e orgulho de um povo inteiro.

Imagine que você convidou uma visita para sua casa e de repente essa pessoa começa a opinar sobre assuntos da sua família, dizendo que seu pai não ajuda a lavar a louça, seu irmão é um idiota, apontando vários problemas. Certeza você vai querer dar uns petelecos nesse cara e vai dizer que ele não entende de nada, melhor ficar calado. Enfim, às vezes não quero ser essa visita que dá opinões inconvenientes.

Porém, é muito difícil ficar calado ao ler e ver algumas coisas que estão onipresentes por aqui. Ler frases como “As Malvinas sempre foram argentinas” é algo estranho, quando sei que os ingleses estão lá desde 1833 e desde então já tiveram várias e várias gerações de kelpers. O povo mora lá e não quer ser argentino e ponto. Mas vou fazer o quê? Começar a discutir com alguém vai me levar a algum lugar? Prefito ficar calado.

Outra coisa que acho estranho é a defesa de uma causa que foi claramente um estratégia de propaganda  de um ditador bêbado. Sim, Galtieri fracassou lindamente com a guerra, mas não podemos negar que aumentou muito sua popularidade e conseguiu apoio até de quem sempre foi contra ele com essa lambança. Eu sei, o assunto das Malvinas é muito anterior a guerra, mas depois de 1982 ele tomou outra dimensão.

Será que a controversa Cristina Kirchner não está fazendo o mesmo? Chamando a atenção e batendo na tecla das Malvinas exatamente para desviar a agenda pública? Ou será que ela não tem mais nada para se preocupar? Inflação galopante, institutos oficiais que dão uma maquiada na inflação, acusações de corrupção, tragédias públicas como as do trem do Once, um processo intenso de venezuelização e brigas intermináveis com o prefeito de Buenos Aires já não são suficientes?

Em seu discurso dessa segunda, Cristina pede diálogo para discutir a soberania. O irônico é que sobre os assuntos internos ela é a última a ser transparente e realmente dialogar com a população sobre o que realmente importa. Não fala com a imprensa diretamente, mas só através de discursos, e também não fala com o prefeito de Buenos Aires que pede uma reunião com a toda poderosa.

Enfim, é tudo nisso que penso quando falam em Malvinas. É apenas a opinião inconveniente de uma visita que sabe muito bem que esse assunto não deve ser nada simples para um argentino.

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7 comentários

  1. é mesmo um assunto re complicado. o meu conhecimento sobre este assunto não é dos mais vastos (os posts do Ariel Palacios foram excelentes!), mas na condição de “alguém que nasceu no lugar errado”, eu me sinto no dever de querer que as malvinas voltem ao domínio argentino.

    existem inúmeros argumentos a favor e contra qualquer um dos lados e o caos se estabelece. com certeza é preciso sentir na pele para entender e por isso que eu respeito a vontade imensurável que os argentinos têm de retomar o controle daquele pequeno território.

    • Também gostaria muito que as ilhas fossem do domínio argentino, mas tenho consciência que atualmente isso seria muito improvável. Ainda mais com essa recente descoberta de petróleo ali. Agora não é um arquipélago de 3 mil pessoas que está em jogo, mas muitos barris de petróleo.

  2. nach022

    naum entendo como eles pedem as malvinas mas nem pensam en dar devolta o chaco pra o paraguay…. que foi “roubado” ainda depois que as malvinas pelos ingleses…. na verdade naum tem como defender que as malvinas saum argentinas, porque naquela época a modalidade de conquista era usada por tudos os paises…. entaum é aceitar o deveriamos fazer com que o chile de devolta a saida ao mar pra bolivia, argentina dar devolta os territorios que roubó do paraguay e do uruguai, que venezuela volte a ser parte da colombia, e o mesmo pra o equador :S

  3. Es interesante Túlio tu visión sobre este tema. Es innegable que la guerra sirvió como estrategia para ganar popularidad, la estrategia de un dictador borracho, como bien pusiste.
    La parte de CFK y cómo actualmente se está volviendo sobre este tema tiene una parte que está en relación con lo que se debe hacer, con algo que era materia pendiente para el Estado argentino: reclamar su soberanía sobre las islas. El retomar temas como éste o el de DDHH son cuestiones que los gobiernos de Néstor y Cristina hicieron, eran temas pendientes, una deuda con el pueblo argentino ya que nadie hizo ni dijo nada desde el 82.
    Que hay otros temas pendientes sobretodo en materia económica por tratar seguro, principalmente para que no se nos venga la noche con la crisis mundial que existe. También hay cuestiones de política interna que deben ser tratadas pero, que se siente a hablar con Macri me parece una tontería superficial meterlo como tema relevante. Macri que demuestre gestión alguna vez y que deje de buscar tanta prensa. En todos los años de gobierno que estuvo lo único que hizo fue gastar una fortuna extraordinaria en bicisendas y el programa de bicis (es importante pero el sobreprecio… vamos!) hacer una policía inútil (peor aún que la existía), y cambiar sentido de las calles (cambiar las fichas de lugar en materia de tránsito no es dar una soluciòn sino que cambiar algo para no cambiar nada). Grandes temas de siempre en la ciudad: HOSPITALES y EDUCACION. No ofreció ni una solución, en materia de salud lo único que habrá hecho fue pedirnos a los profesionales de la salud que nos rematricularamos (no importa si lo habias hecho hacia un mes) a fin de cuentas de que estemos al dia.. Con que? Con el importe que nos hizo pagar a cada profesional por rematricularte jejeje Cerró concursos, cerró puestos. Yo no puedo decir nada bueno de su gestión en el ámbito de la salud pública específicamente. Además de todo eso, no nos olvidemos que Macri es solo un “alcalde” de una ciudad. CFK es la presidenta de una nación, es como que a Dilma la prensa le exija que hable con el alcalde de Brasilia. Es un gran “qué??”
    Cada uno que se “ubique en su palmera” y desde allí que trabaje, es la ùnica manera de demostrar que el modelo sirve. EL que se plantee, de un lado y del otro.

    Saludos!

    • Gracias, Andrea por el comentario. Realmente estoy de acuerdo con mucho de lo que dijiste. El ejemplo de Macri fue solamente para decir como la presidenta pide diálogo, cuando ella mismo no lo hace. Prefiere siempre el monólogo. Saludos!

  4. Juliana Bragança

    O jornal nacional fez uma serie de reportagens sobre isso, mas só tive a oportunidade de ver um dia. Eu também prefiro não meter o bedelho, ainda mais porque agora q descobri q quem mora lá quer pertencer à Inglaterra!
    Parabéns pelo post!

  5. leila sarkissian

    Oi sao muito interesantes todos os comentarios eu sou argentina preciso possan disculpar se error quanfo escribo em portugues. Voce fiço bem em não dar sua opinhão em buenos aires porque as pessoas fican sensibles. A soberania e reclamada por muitos motivos legais e tambem porque os inglesen usan ese lugar para ter acceso ao mar argentino, petroleo, antartida, agua doce e outros intereses economicos. Mais alem disso aconteceu que os homems que foram para guerra so eran meninos de 18 anos, o governo da ditadura nao dava opcão, chegava uma carta em cada casa e voce tinha que ir para o guerra se o governo queria. Entao perderam a vida muitos meninos tão jovens que não queriam nenhuma guerra, e por isso que e doloroso y conmemoran a coragem de esos jovens. Obrigada pela atencão este post e muito bom de verdade adoro aos brasileiros !! so queria explicar um pouco para que voces possan comprender beijos

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