8 dias em Santiago – Dica do leitor

Como assim um blog sobre Buenos Aires está dando dica de viagem para Santiago? Na verdade nós temos uma parte sobre Outros Destinos muito legal. Além disso, é comum ficar em dúvida entre conhecer Buenos Aires ou a capital do Chile, e por isso resolvemos trazer essa dica do leitor de 8 dias em Santiago. Além disso, essa Dica do Leitor é marcante. É a terceira vez que o Marcelo escreve pra gente. As outras duas, que você pode ler AQUI e AQUI, foram sobre Buenos Aires.

Se for Buenos Aires, aproveite e veja nossos guias de turismo, que vão incrementar e muito seu passeio pela capital portenha. O Aires Buenos Blog tem o Guia Básico: 4 dias em Buenos Aires, com os passeios tradicionais e restaurantes ótimos para você ter tudo do bom e do melhor na sua viagem. Temos também o Guia Lado B dos pontos turísticos de Buenos Aires, com passeios muito descolados e para quem quer ver coisas diferentes na cidade!

8 dias em Santiago – Dica do leitor

Começar a escrever um relato de viagem é sempre difícil, ainda mais quando se tem tanta informação a respeito de uma viagem que foi um sucesso. Esse é o caso do nosso mais recente destino, Santiago, a linda capital do Chile. Foram 8 dias nessa incrível cidade aos pés da Cordilheira dos Andes, incluindo cidades vizinhas e a obrigatória subida à montanha.

A chegada à cidade foi tranquila, o aeroporto fica distante do Centro (aproximadamente 45 minutos), porém há um bom e barato transporte com ônibus especiais (Centropuerto ou TurBus). No nosso caso foi bem vantajoso usar esse transporte pois o apartamento que alugamos pelo Airbnb ficava a 2 quadras do ponto final do Centropuerto.

Daí então, chegados à cidade e devidamente acomodados, chegou a hora de começarmos a fazer aquilo que mais gostamos, bater perna, sair sem roteiro, conhecendo, entrando em tudo que é lugar, mudando de direção no meio do caminho, interagindo com o ambiente e as pessoas, entrando em roubada (Rrsrs! Por que não? Faz parte da diversão). Nessa batida fomos ao Centro e bairros adjacentes, rua Concha y Toro, um delicioso porém meio largado conjunto de ruas históricas (as ruas poderiam ser melhor aproveitadas para serem transformadas num polo de atração turística e cultural), bairro Brasil, República com suas ruas bucólicas e trocentas faculdades.

Fomos ao Centro fazer os passeios obrigatórios pelo comércio e também alguns mais culturais. Destacamos aí o Paseo Ahumada, que é como se fosse a Calle Florida de Santiago, só que bem mais larga, sem os insuportáveis arbolitos e com maravilhosas lojas, como a famosa Falabella, que por ser chilena, possui uma loja em cada buraco da cidade e outras no mesmo estilo como Paris, Polar e Ripley. Falando em cultura fomos ao sensacional Museu de Arte Pré Colombino, cuja visita eu recomendo obrigatoriamente, além do Museu Histórico Nacional, localizado na bela Plaza de Armas, que abriga também outros museus, e a lindíssima Catedral, outra visita obrigatória.

Santiago possui uma economia crescente e com isso atrai investimentos de todo o mundo, e é alvo de grandes marcas internacionais, o que faz da cidade um paraíso de consumismo. Mas segura a onda antes de programar uma viagem de compras, porque os preços praticados na cidade assemelham-se aos de Rio de Janeiro e São Paulo. Para acessórios de frio como luvas, cachecóis, gorros e calças segunda pele (a famosa ceroula), que lá são mais grossas que as vendidas aqui, vale mais a pena comprar nos camelôs. Na Paseo Ahumada tem vários, e os produtos são de boa qualidade e muito mais em conta que nas lojas.
E os bairros se sucederam, e os lindos lugares que encontramos também, Lastarria, BellaVista, bairros bucólicos onde a noite é sempre uma criança, o Pátio Bellavista, o incrível “shopping de restaurantes e bares” e suas ruas adjacentes, lembrando fortemente Palermo Soho, e daí para Providencia, Las Condes e outros tantos com urbanismo impecável e a onipresença da Cordilheira dos Andes emoldurando o quadro da cidade (tivemos a sorte de estar lá com nível de poluição normal e tempo bom, portanto a Cordilheira esteve sempre bem visível).

Shoppings são um caso à parte, paraísos do consumismo mas que também oferecem belezas particulares, como a imensa praça de alimentação à céu aberto do Parque Arauco em Las Condes, a bela harmonia do antigo com o moderno no Espacio M no Centro, e claro, a exuberância ou até o exagero do Costanera Center em Providencia, dentro do maior prédio da América Latina, 6 pisos de tentação e uma praça de alimentação onde um ser humano pode se perder com facilidade, rsrs! Além disso, uma semana antes de nossa viagem foi inaugurado o SkyCostanera, um mirante no alto da torre do shopping. Nada mais que um enorme espaço em 2 níveis rodeando a torre a 300 metros de altitude, dando uma visão total e 360° da cidade, além de uma vista impressionante da Cordilheira. Desde já é programa obrigatório para todos.

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Não esqueça de visitar os Cerros Santa Lucía e San Cristóbal, marcos da cidade. O Sta. Lucía é o local da fundação de Santiago. Não esqueça de na chegada ou na saída atravessar a Alameda e ir à Feira de Artesanato Sta. Lucía. Lá há excelentes artigos a preços módicos, um mar de opções para as lembrancinhas de viagem.

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Já o San Cristóbal é bem mais alto e afastado, sua entrada fica na Bellavista, e eu recomendo para uma experiência mais completa que subam de funicular e desçam a pé, como fizemos, aproveitando as lindas vistas e o verde desta ponta da cordilheira no coração da cidade.

Não esquecer de tomar a famosa bebida local Mote con Huesillos, que vem a ser um caldo com pêssegos desidratados e trigo cozido. O gosto é bem peculiar e é bem pessoal gostar ou não, mas vale a experiência. Eu gostei, a Graci não. Mas eu gosto de qualquer coisa, minha opinião não é muito confiável, rsrs!

Enfim Santiago é isso, uma cidade dinâmica, cosmopolita, versátil, adaptando-se a qualquer perfil que tenha o visitante, com um sistema de transporte eficiente, organização e um povo bem educado e gentil em pelo menos em 100% de nossas experiências. Transborda cultura e faz questão de compartilhar com todos que nela chega. Estão sempre de braços abertos e as cercanias da cidade também são espetaculares, e passamos 2 dias fora da cidade aproveitando mar e montanha.

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Santiago possui 4 estações de ski: Farellones, El Colorado, La Parva e a mais famosa Valle Nevado. Dica: muita gente que vai a Santiago escolhe o Valle Nevado para ir por ser a mais famosa, ou um tour por duas ou mais estações, mas cuidado, pois esses podem ser os ingredientes para um “programa de índio” na neve.
Farellones é a primeira do caminho, possui pistas bem suaves que facilitam muito o aprendizado, além disso é a estação onde estão a maioria das brincadeiras de neve, um setor para crianças inclusive com escolinha , trineo (um trenózinho) e mini pista de patinação no gelo. Teleférico bem extenso, skibunda, tirolesa e canopi (tirolesa para crianças), contando também com uma extensa área plana cheia de neve que funciona como um grande playground gelado para correr, andar, fazer bonecos de neve, guerra de bolas, enfim ser criança.

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Em seguida vem El Colorado, que também tem atrações divertidas, porém em bem menor número, além de pistas de dificuldade crescente. Ideal se você quer aprender e aventurar-se mais além do basicão do esporte.

A próxima é La Parva e se não me engano ela não possui atrações além das pistas, que são mais radicais, indicado para esquiadores mais experientes.

E por fim a mais conhecida, Valle Nevado, e aí vem o erro de muitos turistas, pois Valle é extrema, suas pistas são as mais radicais, inclusive a pista de aprendizado tem um inclinação excessiva, portanto é recomendada para o cara que é experiente, além, claro, dos profissas. Não existem áreas de lazer. Então o que acontece com o turista desavisado (que não vai esquiar) é ir para lá e passar o dia todo olhando para a paisagem, pois não resta nada além disso para fazer, e também comer num restaurante caríssimo.
Como não utilizamos ski nem snowboard, Farellones foi nossa escolha e posso dizer que aproveitamos muito cada minuto, um dia inesquecível.

No dia seguinte fomos para o litoral. Acordamos bem cedo, nos informamos, fomos para rodoviária (Terminal Alameda) e lácompramos uma passagem para Viña del Mar. Viagem de aproximadamente 1 hora e meia num ônibus confortável da Pullmann, e após isso nos deparamos com uma agradabilíssima surpresa, pois Viña é um encanto de cidade, linda em todos os detalhes. Passamos por sua ruas, parques, praças, pelo exuberante litoral, pelo parque Vergara, o Castillo Wulf e o obrigatório Museo Fonck, com um dos únicos Moais originais fora da ilha de Páscoa em seu jardim.

De Viña pegamos o metrô para o destino seguinte, Valparaíso (sim , Valpo tem metrô que liga as duas cidades). Valpo é uma cidade peculiar, dominada por morros (cerros). Os locais dizem que existem dois ou três que podem ser visitados, sendo os outros menos atrativos assim como menos seguros. O cerro Alegre foi o que escolhemos (os outros são Concepcion e Artilleria), e podemos dizer que o grande atrativo é o grafite. São três cerros que possuem uma concentração de artistas, universitários, hostels e repúblicas, e muito, muito grafite. As ladeiras são bem bucólicas, com casas em estilo vitoriano, escadas e casas de madeira, tudo com muita street art dando um tom bem alternativo ao local.

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Um ponto a ser destacado na cidade é a comida, em Santiago come-se muito bem. Carnes como o bife a lo pobre, frutos do mar no Mercado Central, e os restaurantes periféricos oferecem comida tão boa quanto os centrais e por um valor bem mais em conta. Também doces e tortas com grande variedade de frutas vermelhas e frutas secas, sorvetes (sim existem sorveterias fantásticas lá, no nível das melhores portenhas, destaco o Empório La Rosa e a Mó). Há muitas cazuelas e os famosos perritos calientes, o nosso cachorro quente, porém bem diferentes no tocante aos molhos: completo, chacarero, bem apimentado, com abacate, umas delícias.

Feito isto embarcamos de volta para casa, porém um ultimo espetáculo estava reservado. No vôo de volta atravessamos a cordilheira dos Andes num raro dia de céu limpo e sem nenhuma nuvem abaixo, e pudemos apreciar a imensidão dessas montanhas em toda sua plenitude. Com certeza um fechamento com chave de ouro para uma viagem inesquecível.

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Finalizando: A inevitável comparação

Como não poderia deixar de ser, por ser este um blog sobre Buenos Aires, surge a inevitável comparação Santiago x BUE.

É um assunto delicado, cada uma tem sua visão das cidades, então vou deixar aqui o nosso ponto de vista, nosso porque eu e a Graci concordamos nesse ponto (ufa).

Santiago é, como foi dito, uma cidade moderna, cosmopolita, dinâmica, estruturada, bonita, com belíssimas áreas circundantes, muita cultura, muitos atrativos, um povo educado e gentil, uma economia sólida, enfim um lugar a ser visitado e revisitado.

Massss, e isso lembro é a NOSSA visão, não possui o charme e o encanto de Buenos Aires, que também possui essas qualidades, algumas a mais outras a menos, levando-se em conta também a grave crise econômica por que passa a Argentina o que dificulta seu crescimento.

O argentino tem a fama de mau humorado, marrento, embora nós nunca tenhamos passado por isso (o Túlio sim, e como, hahah), porém também é educado e prestativo.

No quesito comida aí sim Buenos Aires ganha longe. Não que não se coma bem em Santiago, muito pelo contrário, mas BUE é uma verdadeira orgia gustativa, eu sou fã incondicional da gastronomia dessa cidade, água na boca só de pensar enquanto escrevo.

Enfim, o saldo final da viagem a Santiago foi uma sensação de grande satisfação e uma grande saudade… de Buenos Aires.

Santiago e os outros pontos turísticos do Chile são bem interessantes e lindos, principalmente as estações de ski, que nós brasileiros amamos!  Ficamos felizes que Buenos Aires tenha te conquistado tanto assim. Esperamos agora uma quarta DICA DO LEITOR sua!

Para ver relatos e dicas de passeios em Buenos Aires, visite nossa categoria DICA DO LEITOR.

E se você já fez um passeio para o Chile, Argentina ou até mesmo Uruguai, pode mandar a sua dica para nós. Escreva para airesbuenosblog@gmail.com e não se esqueça de mandar algumas fotos junto!

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1 comentário

  1. Oi Juliana, valeu pelas palavras. Só corrigindo o inicio do seu texto para que eu não apanhe aqui rsrs, o primeiro relato de Buenos Aires foi escrito pela Graci 🙂 abs
    E o quarto relato tá chegando sim, vem do outro lado do Rio da Prata 🙂

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