La Celeste, um pedacinho do Uruguai em Palermo

La Celeste

Se tem uma coisa que sinto saudade das minhas visitas ao Uruguai é o chivito, esse sanduíche adorado por muitos, inclusive o super chef Anthony Bourdain. Já tinha provado um aqui em Buenos Aires no La Pasiva, mas já era hora de conhecer outro local.

O La Celeste é um dos poucos restaurantes uruguaios na cidade e fica no burburinho de Palermo. É uma grande casa, toda decorada com motivos uruguaios, mapas do litoral, fotos de celebridades e várias camisetas da seleção, inclusive uma assinada pelo carrasco do Brasil na Copa de 50, o Ghiggia.

Ghiggia

Nem precisei olhar o cardápio direito. Fui de cara no chivito canadense, um verdadeiro hit das calles de Montevidéu. Fui tentado por um sanduíche de bondiola chique, mas preferi ser fiel ao clássico. O resultado é essa bomba da foto abaixo.

Chivito!

É uma verdadeira delícia. Se bem que não chega aos pés da Chiviteria do Marcos de Montevidéu, tenho que admitir que é uma ótima opção para os fãs desse sanduba. O preço é um tanto quanto salgado, 59 pesos (preços de junho de 2012). Se bem o sanduíche é enorme, mesmo assim só paguei porque estava com muita vontade de revisitar essa belezura. Outro ponto falho foi a cerveja. Esperava marcas uruguais como a Pilsen, Patrícia ou Norteña, mas nenhuma delas estava na carta. Uma pena!

Veja bem...

Mas o lugar não é só chivito. Eles também tem toda uma parrillada com tudo que os habitantes do Rio de la Plata mais curtem, assim como pratos tradicionais uruguaios como a pamplona. Pretendo voltar para explorar mais!

O La Celeste fica na Calle Bonpland 1944, aqui o link deles no Guia Óleo.

Aires Buenos em Montevidéu: Chivitería Marcos

Estando em Montevidéu você precisa fazer duas coisas obrigatoriamente: uma é visitar o Mercado del Puerto, a outra é experimentar um chivito uruguaio.

O Chivito nada mais é que um sanduíche monstro com quilos de coisas que se tornou sinônimo de comida uruguaia. Como ele chegou até esse status eu não sei, mas é disso que o povo uruguaio gosta!

Segundo Antony Bourdain e a maioria dos uruguaios, o melhor Chivito você encontra na Chivitería Marcos, uma pequena cadeia desses alimentos infartantes com filiais em várias partes da cidade. Por cerca de 15 reais você leva o chivito completo, que tem direito a bife, presunto, quilos de queijo, cebola, um ovo, bacon, maionese, picles e outras coisas que já não lembro.

O resultado é esse pequeno monstro da foto abaixo, que precisa ser apreciado por uma cervecita uruguaia. É um verdadeiro colírio para as papilas gustativas de quem adora uma carne com bacon! Os uruguaios sabem das coisas!

Aí embaixo você vê o a parte do programa do Bourdain no Uruguai, onde ele manda ver num chivito na mesma filial do Marcos que fui. O endereço é Luis de la Torre 895 esquina com Avenida Sarmiento.

Aires Buenos em Montevidéu: Bodega Bouza

De vez em quando a vida me leva para o Uruguai. Esse país, que tem a fama de ter um povo muito gentil, sabe como tratar bem quem o visita.

Montevidéu é uma espécie de mini versão de Buenos Aires, com menos caos e mais tranquilidade. Dessa vez o foco um tour gastrônomico e calórico pela cidade e seus arredores, que vocês verão por aqui em partes.

O primeiro destino foi a Bodega Bouza!

E aí, tá de Bouza?

Classificada como Bodega Boutique, a Bouza produz bastante Tannat, uva mais conhecida do pequeno país platino. Se a Argentina é conhecida pelo Malbec, o Uruguai é pelo Tannat.

Alugar um carro parece a melhor opção para quem quer fazer um tour meio “Sideways” no Uruguai, porém há um lei seca tolerância zero que pode arruinar seus planos. Ir de busão acabou sendo a opção mais sensata e aventureira. O táxi ia sair o olho da cara, não havia carro para ser alugado, logo só restou o transporte coletivo. Chegar lá é bem fácil. Basta pegar qualquer ônibus no terminal que vai pela Ruta 5 até Canelones e La Redención, que é uma estradinha de terra com várias vinícolas. Você anda uns 15/20 minutos e desce na interseção das duas estradinhas. Daí vai caminhando uns minutos pelo Camino La Redención até a Bodega Bouza (Não recomendo ir de All Star).

O caminho é bem bonito, com os lados cheio de parreiras e uvas crescendo. Tem até um sofá meio de azulejo pra descansar no meio.

Uma parada para experimentar o sofá

Chegando finalmente na Bouza, o cenário é puro bucolismo (tirando a parte de quase ser agredido por quero-queros alucinados). O rápido tour pelos vinhedos é seguido de uma explicação bem detalhada da história da empresa e todo o processo do vinho. Fiquei sabendo, por exemplo, que eles vendem os barris de carvalho depois do terceiro uso. Deu uma vontade enorme de levar um pra casa, o preço nem era tão caro, mas seria quase impossível transportá-lo sem um carro.

Onde é feito o vinho

Entre barris e barris, eles tem guardado no piso uma espécie de biblioteca de vinhos. Lá estão garrafas de tudo que é produzido ali, para depois poder saber como a qualidade está evoluindo.

Subsolo do Baco

Ok, isso tudo foi só para falar da visita guiada e o lugar lindíssimo. Agora vamos ao melhor! O Restaurante da Bodega!

Bouzalicious

Cotado como um dos melhores restaurantes do Uruguai, o lugar realmente não decepcionou. É caro, mas o ambiente é lindíssimo, o atendimento personalíssimo e a comida um desbunde!

Optei por um carpaccio de lomo de entrada, finalizando com mais carne como principal: baby beef com umas batatas feitas na lenha. Deu vontade de dar um abraço no chef, de tão bom que estava.

Carpaccio de Lomo com molho de uva

Baby beef com umas batatas celestiais

Para acompanhar tudo isso, obviamente um Tannat uruguaio e da bodega. E finalizando com um café no deck do lugar, já que a doçura pode mudar o mundo!

La dulzura puede cambiar el mundo

A visita guiada sozinha não vale a pena. São 200 pesos uruguaios secos, que não dão direito a beber nada. Quem come no restaurante não paga a visita, por isso recomendo fazer todo o combo. A comida é cara. Um almoço com entrada, principal e vinho sai por volta de 1200 pesos uruguaios por pessoa, algo como 120 reais. Na Bouza? Pague com gosto porque vale a pena! Mas reserve antes!

O público que faz a visita é basicamente de casais cinquentões abastados e tiozões metidos a engraçadões. Há também estrelas da Globo presentes.

Devo dizer que meus talentos de fotógrafo e a câmerazinha do celular não honram a beleza do local. Passem pelo site da Bodega e sintam o drama! http://www.bodegabouza.com/

La Pasiva, um clássico de Montevidéu em Buenos Aires

La Pasiva de Buenos Aires

Quem já visitou Montevidéu já deve ter dado de cara com algum restaurante La Pasiva por lá. É uma famosa cadeia de restaurantes do Uruguai, um misto de cozinha tradicional com fast food,  que você encontra em vários endereços.

A rede, que tem no seu cardápio os clássicos Chivitos, agora aterrisou em Buenos Aires. Ou era pelo menos isso que eu tinha escutado falar. Na verdade foi um cidadão argentino, mesmo sem autorização, que abriu um lugar com o mesmo nome, mesma logo, cardápio bem parecido e todo aquelas motivos uruguaios de decoração. Ou seja, é uma filial “trucha” do La Pasiva.

O ótimo site Planeta Joy, especializado em resenhas e dicas gastronômicas de Buenos Aires, já classificou o incidente como “A Guerra do Chivito”. Leia mais aqui.

Como moro bem perto do restaurante e na semana passada, com a final da Copa América, o local ficou lotado de uruguaios que foram acompanhar o jogo e fizeram aquele auê todo, fiquei curioso para conhecer.

O famigerado Chivito Uruguaio

Já tinha lido o ótimo post do Barbão, no Direto de Buenos Aires, que alertava para os altos preços, e por isso fui preparado. Pedi, obviamente, um chivito uruguaio, que nada mais é que um pão com salada e bife de lomo (o nosso filé mignon). A mistura pode parecer simples e primária, mas a carne estava super macia e o chivito estava muy rico! Pedi o tal Chivito Canadense, que ainda acompanhava bacon, ovo e outras coisas infartantes. Recomendo! Não ficou devendo nada para os que já comi em Carmelo, Colônia, Montevidéu ou Punta!

Nota dez no sabor, mas zero no preço. Foram Singelos 54 pesos pelo chivito e a batata frita. Valeu a pena para conhecer o lugar, mas não é nada que me convença muito a voltar sempre. Ao meu lado um casal comia com mais umas 5 crianças. Só imaginei o prejuízo que seria aquela refeição ali!

O La Pasiva fica na Avenida Corrientes 1743, quase esquina com Av. Callao.

Link pro Guia Óleo.

>El cuarteto de nos – Bipolar

>
Estou há uma semana pensando no que dizer sobre Bipolar, o novo cd do “El cuarteto de nos”. A banda uruguaia é uma das minhas preferidas do rock castellano, desde que lançaram o genial “Raro” em 2006, e escutar algo novo deles é sempre muito bom.

Se o cd não tem tantos hits com o anterior, pelo menos as letras estão afiadas como nunca. Em Bipolar eles estão ainda mais existenciais, filosóficos, ácidos e debochados, como o nome do cd já adianta. Se você acha que esses temas não combinam com o rock é porque você não conhece esses caras, meu caro.

Foram várias minhas preferirdas. “Breve descripción de mi persona” é o retrato de um homem mediano que de tão comum chega a ser medíocre. Oi, tão falando de quem, hein?

La filantropía no está entre mis aficiones
tengo varias adicciones, y me hago cargo
no acepto sin embargo, si intentara adoctrinarme
yo quiero elegir con qué veneno envenenarme

“Nada me da satisfácion” é tão real que dá medo. Um tratado sobre a busca de algo verdadeiro para se sentir.

Busco una sorpresa que me vuele la cabeza
pero por mi naturaleza, nada me interesa
y si, se ve, no encuentro en que creer
pero no me resigno a ver la vida por tv

E fechando o cd com “Razones”, onde concluimos que realmente esse cd é para pessoas com sérios problemas psicossociais como eu.

No soy fácil no, no estoy dócil no
no estoy cordial ni sensato, no tengo ninguna razão para estarlo

Ainda há a regravação do clássico hino do egocêntrismo “Me amo”, com outro ritmo e um arranjo distinto.

A la luna me gustaría ir
para ver como es el mundo sin mi.
Me amo, como la tierra la sol.
Me amo, como Narciso soy
Me amo, dibujé un corazón
que dice “yo y yo”
Me amo

Aqui os caras no estúdio gravando “Nada me da satisfación”.

>Carmelo, Uruguai

>barzinho de carmelo

Carmelo é uma cidadezinha com cerca de 20 mil habitantes que está do outro lado do delta do Rio, no Uruguai. Para chegar lá é preciso tomar um barco de Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, e a viagem dura cerca de 2 horas e meia.

Está há poucos quilômetros de Colonia del Sacramento, mas parece estar há milhas de distância de qualquer tipo de civilização. A vida em Carmelo anda muito devagar e parece ter parado algumas décadas atrás. Nessa cidade, que se orgulha de ser fundada pelo General Artigas, parece existir mais moto que gente. Lá todos se movem a duas rodas

O honesto e kitsch Hotel Casino Carmelo, foi o QG desse pequeno descanso em aprazíveis terras uruguaias. Para quem está acostumado com a amargura portenha, é de impressionar a gentileza do povo uruguaio. Não é uma simpatia irradiante e invasiva, mas sim uma amabilidade sincera. Simplesmente todas as pessoas são amigáveis, os garçons uma verdadeira simpatia e os locais sempre numa buena onda.

Pontezinha giratória de Carmelo

O rio, a pequena praia, a cerveja Pilsen e a Patrícia, o chivito, o dulce de leche, o queijo e até a “buatchi” de cumbia. Tudo está ótimo quando você está com o humor correto e com gente correta.

Conversar com o senhor do bar da primeira foto, que tem o mesmo sobrenome do Ghiggia que sacramentou o Maracanazo em 1950, foi surreal. Um bar sem clientes no meio do nada a caminho de uma pedreira, com um dono tiozinho desdentado mas que não tinha vergonha de rir de qualquer coisa e que me ofereceu salaminho, chorizo e um pedaço de pão sem cobrar nada.

Rio por onde o barco chega à cidade

Um passeio recomendadíssimo para lembrar que existe outro tipo de vida fora da sua bolha.

la dulzura puede cambiar el mundo.
Pura verdade no açúcar de Carmelo!

Links para saber mais:
Site do governo sobre Carmelo
Hotel Casino Carmelo
Cacciola Viajes