Mamba

MAMBA, Museu de Arte Moderna de Buenos Aires

É verdade que os museus portenhos mais badalados ficam nas imediações da Avenida del Libertador e da Figueroa Alcorta, entre Palermo e Recoleta. Mas, para mim, um dos mais interessantes está numa esquina movimentada da calle Defensa e a avenida San Juan, em San Telmo.

Em 2014, quando visitei pela primeira vez o MAMBA (Museu de Arte Moderna de Buenos Aires), lembro de ter visto duas mostras geniais: Habitat Sequences, do holandês Gabriel Lester (em que percorríamos aposentos minuciosamente decorados, na penumbra, guiados por luzes que se acendiam e apagavam arbitrariamente, em looping) e Detournalia, uma retrospectiva louquíssima do artista argentino Fabio Kaceros – desta, não esqueço de um filme intitulado “Créditos”, que nada mais era do que a lista dos nomes de todas as pessoas que o artista conheceu ao longo da vida, acompanhada de trilha sonora.

O MAMBA e a Menesunda

Mamba

Foto: Luiz Apolonio

O Museu de Arte Moderna de Buenos Aires foi criado em 1956, mas desde a década de 1980 tem como sede a antiga fábrica de cigarros Piccardo, com sua característica fachada de tijolos ingleses. Atualmente, conta com mais de sete mil obras no acervo, não somente de artes plásticas, mas também de fotografia, design e audiovisual.

O Mamba não é para qualquer público. Como todo museu dedicado às vanguardas artísticas, aqui é preciso estar receptivo às ideias dos artistas e disposto a refletir sobre o sentido das obras. Ou seja: provocar e incomodar fazem parte da experiência.

Mamba

Foto: Divulgação

Aqui, você poderá conhecer a produção argentina das décadas de 1940 a 1960, além de obras nacionais e internacionais contemporâneas. E um dos trabalhos mais importantes – e polêmicos! – deste período é “La Menesunda según Marta Minujín“.

O título é emprestado do lunfardo: “menesunda”, no portenho malandro, quer dizer confusão, bagunça, mistura. Trata-se de uma intervenção que a artista Marta Minujín apresentou em 1965, no Centro de Artes Visuales del Instituto Torcuato Di Tella, e que foi reconstruída fielmente cinquenta anos depois, no Mamba.

Menesunda

Marta Minujín, a artista por trás da Menesunda. Foto: Divulgação

São 400 metros quadrados de uma estrutura labiríntica dividida em 11 espaços/situações, cada um gerando estímulos sensoriais diferentes no público: da sensação de estar dentro da cabeça de uma mulher até o desespero de ter que digitar um número de telefone secreto para conseguir sair da sala. Num dos ambientes, cuja entrada é pela porta é de uma geladeira, a temperatura fica abaixo de zero.

La Menesunda representou uma grande ruptura na linguagem visual dos anos 60 e foi um escândalo para a época. Tanto, que continua povoando o imaginário cultural argentino.

Quinze ou vinte minutos são suficientes para visitar os espaços, mas como só dá para entrar 8 por vez (50 pessoas por hora), é preciso chegar cedo para garantir a entrada. O museu informa que a mostra não é apta para menores de 16 anos, cardíacos, claustrofóbicos ou pessoas com mobilidade reduzida.

Mamba

O Mamba abre de terça a domingo das 12h às 18h, e custa $ 20 pesos. Às terças, a entrada é franca. A exposição de Marta Minujín pode ser visitada até o final de fevereiro de 2016.

MAMBA
Av. San Juan 350, San Telmo

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