Club Cultural Matienzo

Matienzo, a meca da cultura independente portenha

Entro no Club Cultural Matienzo no final de tarde de uma segunda-feira, quando a casa está fechada. O lugar está cheio. No bar, há pessoas trabalhando em seus notebooks; um grupo de advogados se organiza em defesa dos direitos dos espaços culturais numa sala do segundo andar; no galpão, cerca de 20 músicos tocam em jam session numa oficina de produção eletrônica intitulada Plug & Play.

Pelo menos dez bicicletas estão estacionadas na porta. Pessoas vêm e vão pelos corredores labirínticos da casa – há 80 colaboradores trabalhando ali, entre fixos e freelancers, num sistema horizontal e cooperativo. O clima é tão efervescente que nem parece uma segunda-feira, único dia em que a casa está fechada. “Imagina só quando está aberta”, pensei’.

Matienzo, a meca da cultura independente portenha

Club Cultural Matienzo

O Club Cultural Matienzo foi inaugurado em 2008 e batizado em homenagem à rua onde ficava, entre Palermo e Belgrano. Em setembro de 2013, o espaço se mudou para um imóvel três vezes maior em Villa Crespo, onde antigamente funcionava uma fábrica e loja de roupas. Apesar de não estar mais na calle Matienzo, o clube manteve o nome original, já conhecido na cena independente portenha.

A estrutura impressiona: são três bares (um na terraza ao ar livre), um auditório de teatro com projeção para cinema, um galpão com palco para shows, um lounge pequeno e aconchegante, uma sala de exposições (do coletivo de arte contemporânea Matienschön), uma mediateca com ótimo acervo de livros, revistas e discos (consulte aqui o catálogo) e várias salinhas para cursos de formação, que vão de cenografia para cinema e TV a conserto de bicicletas.

Club Cultural Matienzo

A instalação sonora Periferia, em cartaz até 10 de outubro, traz reflexões artísticas com um viés político.

Também funciona ali dentro um estúdio de rádio próprio, a Rádio Colmena, com programação autoral 24 horas por dia transmitida pela web. A iniciativa é tão querida da galera que a construção e projeto acústico da rádio foram pagos via financiamento coletivo graças a 190 ativistas, que ajudaram a levantar 40 mil pesos em pouco mais de um mês.

Club Cultural Matienzo

Emergencia del deseo, obra de Belém Charpentier que terá nova apresentação em novembro.

“Isso aqui é uma usina de produção cultural”, define Agustín Jais, um dos fundadores do CCM. Ao lado dele – e da Juliana, uma brasiliense super bacana que está trabalhando lá – percorri os ambientes desta que é uma das casas mais interessantes de Buenos Aires, com mil metros quadrados, capacidade para 450 pessoas e uma programação invejável. É tanta coisa acontecendo que pode deixar confuso quem entra no site pela primeira vez, procurando pela agenda de atividades. De cineclube a exposições de artes visuais, passando por festas temáticas e espetáculos de comédia stand-up, tudo é pensado por um grupo de curadores responsáveis por seis eixos de conteúdo: teatro, cinema, artes plásticas, literatura, design e música, muita música.

Club Cultural Matienzo

Ciclo de cinema Metacine, toda quarta.

A entrada para o bar térreo e a terraza são gratuitos, apenas as atividades culturais são cobradas, mas os preços são bem acessíveis e há promoções convidativas: às quartas, por exemplo, paga-se 30 pesos (menos de 10 reais!) para assistir a um filme seguido de bate-papo com seu diretor e ainda ganha-se uma cerveja. Estudantes com carteirinha ISIC têm 20% de desconto no bar, o que é muito legal.

Minha dica é: fique de olho na programação, tente fazer algum curso (há vários de curta duração) e, se possível, vire frequentador do Matienzo. Não tem lugar melhor pra se jogar de cabeça na cena cultural dessa cidade, que é imensa.

Club Cultural Matienzo

13a edição do Festival Let it VJ, evento que reúne tecnologia, música e artes visuais em tempo real.

Club Cultural Matienzo
Pringles, 1249 (quase esquina com Avenida Córdoba) – Villa Crespo

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