Centro Naval

O Centro Naval de Buenos Aires abre seus portões

9 entre 10 turistas brasileiros conhecem ou pelo menos já ouviram falar nas Galerías Pacífico, um dos centros comerciais mais famosos da calle Florida. Mas poucos sabem que logo ali, do outro lado da avenida Córdoba, há uma verdadeira joia arquitetônica francesa: o Centro Naval de Buenos Aires.

Inaugurado em 1914, nestes mais de cem anos o imponente edifício foi frequentado somente por sócios, membros da armada argentina e de outros países, mas há alguns meses foi aberto ao público geral, em visitas guiadas por historiadores da Fundação de Arquitetura e Engenharia Francisco Salamone, especialista em patrimônio.

Nós do Aires Buenos fomos lá conferir e contamos tudo em primeira mão para você.

O Centro Naval de Buenos Aires abre seus portões

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Centro Naval

Depois de mais de 100 anos, um dos portões mais fotografados de Buenos Aires – feitos com o bronze da fundição dos canhões da guerra da independência argentina – finalmente se abre para visitas em 2016.

Criado em maio de 1882, o Centro Naval Argentino teve 13 sedes anteriores até se instalar definitivamente na calle Florida, 801, na esquina da avenida Córdoba. O palácio tem projeto do suíço Jacques Funant e do francês Gastón Mallet, e foi construído exclusivamente para ser a sede social da instituição. Ao contrário da maioria dos palácios portenhos do início do século 20, que usavam matéria-prima importada, este foi erguido com 90% dos materiais de origem nacional, o que permitiu que ficasse pronto em apenas 3 anos. Já a inspiração não podia ser mais europeia: o estilo barroco do Palácio de Versalles está presente em vários detalhes do edifício, e uma escadaria de mármore remete ainda à Ópera Garnier de Paris (entende por que alguns chamam Buenos Aires de “Paris latino-americana?).

Centro Naval

O famoso portão de bronze fundido.

Além do mítico portão e da escadaria imperial, o edifício está forrado de esculturas, afrescos com simbologia marinha maçônica, obras de arte e luminárias maravilhosas, como a da entrada, que pesa mais de 300 quilos e foi presente do diretor do jornal La Prensa.

O prédio tem andares conectados por elevadores circulares de madeira e ferro, com mais de um século de vida – mas impecáveis. Os salões têm pé direito tão alto que invade o andar superior, por isso apenas os pisos pares têm salões. O mais impressionante é o Salão de Baile Almirante Brown, tão barroco que até dói a vista.

Centro Naval

Minha colega de tour clicando….

Centro Naval

…os relevos deste teto impressionante.

A biblioteca do Centro Naval é outro espaço notável do edifício, não só pela beleza do salão, com paredes inteiramente revestidas de madeira, mas sobretudo pelo acervo, já que é considerada a biblioteca de temas navais mais completa da América Latina – entre seus tesouros, está o diário da primeira expedição à Antártida, totalmente artesanal.

Centro Naval

A mais importante biblioteca naval da América Latina.

Confesso que fiquei um tanto incomodada ao entrar no Salão Sarmiento, onde até recentemente era proibida a entrada de mulheres. O guia explicou que o Centro Naval segue a tradição dos clubes ingleses – de fato há muitos em Londres que até hoje proíbem a presença feminina -, e contou que, quando a esposa de algum oficial da marinha entrava ali, não demorava para que alguém acendesse mui discretamente o farol da sala, denunciando sua presença. Um gesto absolutamente ridículo, mas condizente com aqueles tempos tão machistas. Embora fosse proibida a entrada de mulheres no Salão Sarmiento, fumar não era proibido, e é por isso que as esculturas de mármore – que, aliás, representam figuras femininas nuas! – deixaram há muito tempo de ser brancas.

Centro Naval

No Salão Sarmiento, mulher só entrava se fosse pelada e de mármore.

Nesta mesma sala estão algumas das obras de arte mais importantes do Centro Naval, como a tela El amanecer en el riachuelo, de Benito Quinquela Martín, pintor famoso por retratar o bairro de La Boca. Outro tesouro ali é uma dupla de quadros que retrata a batalha inglesa de Trafalgar: o italiano Eduardo de Martino havia pintado uma série de 12 telas registrando 12 horas da batalha, mas nestes vaivéns do mundo das artes, duas delas acabaram no Centro Naval de Buenos Aires (as outras dez estão no Imperial Greenwich College, na Inglaterra). Conta-se que a coroa inglesa sempre tentou recuperar estas obras dos argentinos, mandando agentes “secretos” que lhes ofereceram uma fortuna. Em 1994, um homem teria sacado da carteira um cheque em branco assinado por ninguém menos que a Rainha da Inglaterra, também recusado. Aparentemente, só existe uma forma de os ingleses reaverem estas obras: devolvendo aos argentinos as ilhas Malvinas 🙂

Centro Naval

Lareira de mármore ornamentada com Tritão, deus marinho da mitologia grega.

O tour guiado do Centro Naval acontece de segunda a sexta-feira pontualmente às 11h e às 16h e custa $150 pesos por pessoa. Reservas e informações pelo fone 4382-9989 ou no site.

Em tempo: enquanto espera dar a hora do tour, aproveite para tomar um cafezinho no balcão da Florida Garden, uma daquelas cafeterias clássicas do centro que fazem a gente se sentir verdadeiramente um local (como meu saudoso café da Boca Maldita, em Curitiba). Pedindo no balcão, sai $32 pesos (preço de novembro de 2016) e acompanha água com gás e uns pedacinhos de bolo. Aliás, já indicamos o Florida Garden neste post, lembra?

Centro Naval

Serviço:
Centro Naval de Buenos Aires – Florida, 801
Florida Garden – Florida, 899

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3 comentários

  1. Cristiane Yumi Suzuki Da Silva

    Lugar lindo, sempre que ia a Bsas tinha vontade de conhecer… agendado para a próxima viagem!
    E o Florida Garden sem comentários… até hoje sinto saudade da empanada de verdura de lá!!!

  2. Pingback: Centro de Buenos Aires: 7 coisas diferentes para fazer | Aires Buenos | Simplesmente tudo sobre Buenos Aires

  3. Carolina

    Mariana, você sabe se deixam os visitantes usarem o elevador?
    Vou a Buenos Aires mês que vem e queria visitar o Centro, mas me assustei com as escadas – tive um problema no joelho e não posso subir escadas.

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