Perón Perón

Perón, Perón – Por um jantar peronista

Se nem mesmo entre os argentinos há um consenso sobre o Peronismo, seria muita pretensão que nós, brasileiros, pudéssemos entendê-lo. Figura icônica da política nacional, Juan Domingos Perón foi presidente da Argentina por três vezes (em 1946, 1951 e 1973), renunciou ao segundo mandato, chegou a ser banido do país e voltou triunfalmente do exílio um ano antes de morrer de enfarto. Foram quase trinta anos de trajetória, cujo legado – amado ou criticado – continua vivo até hoje.

Ideologias à parte, é preciso deixar claro que este post não tem qualquer filiação política, e sim gastronômica: estamos falando de Perón, Perón, bar temático inaugurado há uns cinco anos em Palermo Soho com um cardápio popular, nacionalista e farto, para matar a fome del pueblo argentino.

Perón, Perón – Por um jantar peronista

Perón Perón

Fachada do bar. (Fotos do Facebook de Perón Perón)

Descobri o Perón Perón pesquisando no Antigourmet, um site que lista restaurantes portenhos bons e “honestos”, na contracorrente do fenômeno sacal da gourmetização. Na resenha que li (hilária, por sinal), Perón Perón está no limite da baixa gastronomia, já que tem bom preço, pratos populares e bem servidos, mas é um tanto mais refinado que um pé sujo tradicional e, como todo bar da moda, vive lotado.

Perón Perón

Altar à Santa Evita.

A primeira coisa a destacar é o ambiente, entre o pitoresco e o descolado. Todos os elementos da decoração remetem ao peronismo, e se você não é um grande conhecedor da causa, talvez fique boiando em algumas piadas ou referências internas (a senha do wi-fi, por exemplo, é 17 de outubro de 1945, dia em que milhares de pessoas foram ouvir o discurso de Perón da sacada da Casa Rosada, logo após sua libertação, e que ficou conhecido como o Dia da Lealdade). Há muitas fotos, frases (como a famosa “Perón cumple, Eva dignifica“), grafitis e objetos carregados de história, entre eles um relógio marcando o horário em que morreu Evita, às 20h25 do dia 26 de julho de 1952. Falando nela, no meio do salão há um altar de adoração em homenagem à ex-primeira dama, com fotografias, flores, recadinhos e velas acesas. No salão, Cristina e Nestor Kirchner também são lembrados, por serem do mesmo partido Justicialista, fundado por Perón.

Mas vamos à comida.

Dá pra passar horas lendo e se divertindo com o cardápio. Os nomes dos pratos são irônicos, inteligente e todos alusivos ao peronismo, dos coquetéis às sobremesas, passando também pelas cervejas. São 4 tipos: Loira (“Evita, la rubia más querida“), Ruiva (Montonera, roja y revolucionaria), Negra (“17 de Octubre, negra y peronista“) e Forte (“Doble K, extra fuerte“).

Perón Perón

Entre as opções de principal estão guisados, locros, carnes (não tem bife de chorizo, mas tem bife ancho), pastel de papas (uma torta de batatas muito comum aqui), panquecas, ossobuco com polenta, saladas, etc.

perón perón11-compressed perón perón7-compressed perón perón2-compressed Perón PerónPerón Perón é uma experiência gastronômica e tanto. Mas também uma experiência cultural. A cada hora, os alto-falantes da casa tocam Los Muchachos Peronistas, a famosa marcha do partido, cantada a plenos pulmões por comensais militantes, simpatizantes ou qualquer um que digite a letra no google e queira entrar no clima:

Marcha-de-los-Muchachos-compressed

(No site do Instituto Nacional Juan Domingos Perón dá pra ouvir a versão mais conhecida, na voz de Hugo del Carril, e também outras instrumentais nas variações tango, milonga, folclore e jazz!)

Só pela originalidade do bar, Perón Perón já vale uma visita, mas os pratos são realmente deliciosos e abundantes, e o preço é bem amigável para estes tempos de crise. Gastamos 850 pesos (pouco mais de R$ 200) para 3 pessoas jantarem, incluindo o vinho (em jarra Pinguim), 1 sobremesa, os cubiertos ($ 25 para cada) e a propina – que demos de bom grado ao Maximiliano, o garçom buenísima onda que nos atendeu.

Em Buenos Aires há outros bares temáticos em memória da dupla Perón-Evita, como o restaurante do Museu Evita, em Palermo Botânico, e Un Café con Perón, na Recoleta. Reserve antes, pra não ficar pro lado de fora. Mais infos, aqui.

Perón, Perón
Calle Ángel Justiniano Carranza, 2225 – Palermo
Diariamente: seg a sex das 18h às 2h; sextas e sábados até meia-noite.
Aceita somente dinheiro.

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