Lobos

Escapada relaxante até Lobos

Essa semana o Aires Buenos foi convidado para um Blogger’s day na cidadezinha de Lobos, a cerca de uma hora de Buenos Aires. O convite, gentileza do Aguará Hotel & Spa, incluiu uma visita às instalações do hotel, que abriu há pouco mais de um ano, tour por Lobos em bicicleta e visita ao Museu Perón, fechando com um café da tarde espetacular no Almacén Gourmet by Loren. Além de nós, estiveram presentes os blogueiros Mariana Alfaro (Rural y Urbano), Cintia Cotarelo (InfoViajera), Fede Spinella (Viajeros de Acá y del Mundo) e Sir Chandler (Sir Chandler Blog). A seguir, meu relato dessa experiência com fotos do Eli Dalcin.

Escapada relaxante até Lobos

Lobos

Tem hora que Buenos Aires, essa cidade incrível, se torna verdadeiramente estressante. Para tirar o pé do acelerador, uma boa pedida é escapar até um pueblo próximo e entrar em outro ritmo, mais amável, sossegado e silencioso. Se nesse lugar tem um hotel bacana, com boa comida, ótima infra-estrutura, e que te permita relaxar, nada pode ser melhor.

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Lobby do hotel: rústico e aconchegante.

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Uma das suíte do hotel boutique.

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O Aguará abriu em dezembro de 2014 com essa proposta. A 100 km ao sul de Buenos Aires, este pequeno e charmoso hotel spa boutique tem apenas 18 quartos, de diferentes tamanhos e padrões, todos com vista para a piscina ao ar livre, rodeada por um jardim. As diárias vão de 1.590 pesos (Superior, single) a 4.590 (Master suite, double). Além da piscina (na verdade um “tanque australiano”), o hotel ainda oferece sauna, jacuzzi, ducha escocesa (aquela com jatos d’água por todos os lados) e sala de massagem. Perfeito para recarregar as energias e descansar o corpo.

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Mesa do restaurante Azul preparada para nos receber.

Mas um dos pontos altos do Aguará é, sem dúvidas, a gastronomia. O restaurante Azul, comandado pelo chef Ernesto Oldenburg, fica em cima de uma cava subterrânea, com cerca de 250 vinhos selecionados por Elisabeth Checa, uma das maiores especialistas da Argentina (Elisabeth é mãe do chef). O restaurante, aberto ao público geral e não somente aos hóspedes, funciona de quarta a domingo para almoço e jantar. O Azul também conta com panificação própria e apta para celíacos.

LobosLobosPara nosso almoço, foi servido um flan de queijo bem levezinho, um bife suíno com humita (creme de milho adocicado) e, de sobremesa, podíamos escolher entre tiramisú ou tocino del cielo, uma espécie de quindim andaluz maravilhoso. É claro que optei pelo segundo! Depois do cafezinho, jogamos conversa fora pra esperar a comilança baixar. Afinal, iríamos dar um passeio de bicicleta.

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Nosso anfitrião e um dos sócios do hotel, Oscar Vermejo “Pato”.

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Entrada: flan de queijo

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Principal: medalhão suíno com humita

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Sobremesa: tocino del cielo com doce de leite (Foto: Mariana Sanchez)

Na bicicletaria Lobos Bike Sport, fomos recebidos por Ignácio, que nasceu em Lobos e conhece essa cidadezinha de 40 mil habitantes como ninguém. Fiquei toda faceira por pedalar numa bici branquinha e estilosa, com freio contrapedal. A primeira parada foi a praça 1810, batizada em homenagem ao ano da Revolução de Maio. Além do monumento “a la madre”, que tem um curioso rosto indígena, chamou atenção a diversidade de árvores ali, com palmeiras e araucárias centenárias convivendo em harmonia. Parece que antigamente cada prefeito deveria plantar uma árvore diferente na praça, daí a multiplicidade de espécies.

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A vida mansa do interior.

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Com nosso guia Ignácio, prontos para pedalar.

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Plaza 1810, no centro histórico.

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Os vitrais da igreja Nuestra Senhora del Carmen.

Fazia muito sol e o pueblo certamente dormia a siesta, mas Ignácio disse que à noitinha a praça vive cheia de gente tomando mate, proseando e passeando seus cães, principalmente no verão. Cruzamos a rua e entramos na igreja de Nuestra Señora del Carmen, padroeira de Lobos. Lá dentro, impressionam os vitrais, o altar em mármore de Carrara e as placas no chão sinalizando que ali jazem os restos mortais do fundador da cidade, José Salgado. Seguimos pedalando e, no caminho, passamos pela casa da família Salgado, de 1850. É mais antiga que a própria rua, já que sua construção não seguia o padrão de esquina com oitava – como se vê em Buenos Aires e região. Hoje, a casa da rua Las Heras é sede do “Lo de salgado”, um simpático hotelzinho tipo Bed & Breakfast. Continuamos a pedalada pelas ruazinhas de pedra, pela plaza Tucumana com seu coreto tipicamente interiorano, por vários monumentos históricos e pela calle Buenos Aires – que, seguindo reto, mas na contramão, nos levaria de volta à capital.

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O genuíno comércio local.

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Ruína em frente ao museu Perón.

Nessa mesma calle está a suposta casa natal do idolatrado presidente argentino, convertida em biblioteca, museu e declarada monumento histórico nacional. Rubén Darío Basiles (xará do célebre poeta nicaraguense) é o senhor responsável pela instituição. Jura de pé junto que Juan Domingos Perón nasceu ali em 1895 e tem “documentos que o comprovam”. Mas há certa polêmica em torno dessa afirmação, já que muitos historiadores sustentam que Perón nasceu dois anos antes num rancho em Roque Pérez, a quilômetros dali. De todos modos, o museu reúne itens interessantes que de fato pertenceram ao ex-presidente, como fotografias, cartazes, documentos e a mobília do apartamento onde morou quando esteve exilado na Espanha.

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A fachada da casa onde o ex-presidente (supostamente) nasceu.

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Rubén Darío Basiles, o guardião da casa-museu de Perón.

De lá, partimos de bici para o Almacen Gourmet, na própria Perón, 1065, um lugar muito charmoso que fica dentro de uma lojinha de decoração e badulaques bem fofos, chamada Almacen de Ideas. O lugar apostou tanto na gastronomia quanto no design, com detalhes adoráveis por todos os cantos. Fomos recebidos pelas donas com uma merienda muito caprichada, o que veio bem a calhar depois de uma pedalada. Como tínhamos almoçado muito, porém, provei apenas essa torta divina, com uma massa fininha de biscoito, recheio generoso de doce de leite caseiro, amêndoas inteiras e muito, muito mirtilo! O lugar abre de quinta a domingo e tem uma atmosfera incrível, com um quintal bem aconchegante nos fundos. Na lojinha dá pra comprar cerâmicas, objetos de decoração, utensílios para casa e geleias e patês artesanais, feitos na Almacen Gourmet. Vale muito a visita.

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Garimpando no Almacen de Ideas.

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A horta particular do Almacen Gourmet.

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Desnecessária a legenda. (Foto: Mariana Sanchez)

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aires_buenos_blogdays_Lobos_elisandrodalcin_impressao_20160223-6798-compressedPara chegar até lá, vindo de Buenos Aires, você pode pegar o Lobos Bus (saídas da Bartolomé Mitre, 1760) ou um trem da linha Sarmiento na estação Once (sentido Merlo). De carro, basta seguir pela ruta nacional Nº 3 na direção sudoeste e tomar a Nº 205 antes de chegar a Cañuelas. Ir a Lobos e ficar no Aguará é uma boa pedida pra’quela escapadinha relaxante de fim de semana. Se quiser ir apenas para passar o dia, também pode: o Day SPA com café da manhã do Aguará sai por 900 pesos, e a pensão completa (almoço, merenda e jantar) fica em 850 pesos por pessoa. A gente super-recomenda!

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5 comentários

    • Túlio Bragança

      Emiliana, tem bate volta pra Colonia, Carmelo no Uruguai ou San ANtonio de Areco perto de Bs As. No nosso blog falamos de todos eles

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