Segunda viagem para Buenos Aires – Dica do leitor

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A dica do leitor hoje é mais que especial: é o primeiro leitor que manda seu segundo relato de viagem pro Aires Buenos e também porque se trata de um casal que virou amigo nosso graças ao blog.

O Marcelo e a Graciane são do tipo que exploram a cidade a fundo e saem do óbvio, como mostraram no post da viagem anterior: Uma semana em Buenos Aires – Dica do Leitor. Mesmo tendo conhecido tanto Buenos Aires, eles não ficaram satisfeitos. Fizeram uma segunda viagem no mesmo ano para a cidade, que eles transformaram nesse relato.

Caso você queira um roteiro fechadinho para a cidade, não deixe de ver nossos ebooks: Guia Básico – 4 dias em Buenos Aires e Guia Lado B dos pontos turísticos em Buenos Aires 

Mais uma viagem para Buenos Aires – Dica do leitor

Estivemos em Buenos Aires em setembro pela primeira vez, uma viagem maravilhosa que foi já relatada aqui. Ficamos tão encantados pela cidade que nos 10 dias restantes de férias separados para dezembro, resolvemos, eu e Graciane, voltar durante mais uma semana para matarmos a saudade e visitarmos alguns dos inúmeros lugares que ficaram faltando, muito embora seja tarefa quase impossível conhecer tudo que se quer dessa cidade incrível. Digo isto porque vivo a vida inteira numa cidade (Rio de Janeiro) com quase as mesmas dimensões e não conheço ela toda, nem de perto. Serão necessárias muitas e muitas voltas a Buenos Aires para que se possa ter um bom conhecimento do que ela tem a oferecer, e se depender da nossa vontade, essas voltas acontecerão sem dúvida.

Chegamos no dia dois e como da primeira vez, utilizamos o serviço do Taxi Ezeiza, muito eficiente e confiável. Também como da primeira, vez ficamos hospedados no Cuatro Reyes, hotel em Monserrat, pertinho do Centro e do subte (metrô) e ao mesmo tempo afastado do burburinho do centro. O custo/benefício desse hotel é excelente, fica aqui a dica.

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Já logo na primeira manhã voltamos a um bodegón ali pertinho que ficou gravado na memória, tanto pela comida como pelo atendimento muito simpático, o El Gijon, que fica na esquina da Calle San José com a Calle Chile. Vale a pena ir até lá, dessa vez comemos uma suprema maryland, que é uma imensa e deliciosa milanesa de frango com papas fritas, morrones (um tipo de pimentão), jamón e creme de choclo (milho). Maravilha!

Nosso estilo de viagem é meio assim Multishow. Sabe como é, “a vida sem roteiro”. Rsrs. Quando partimos em viagem temos já na cabeça uma lista grande do que queremos ver e tentamos encaixar o máximo que der no período que dispomos, então todo dia de manhã acordamos e perguntamos “para onde vamos hoje?”. De posse da resposta, saímos pra rua e tomamos a direção daquele lugar definido mais cedo. Mas tomar a direção não significa que cheguemos nele, porque nós literalmente vamos nos enfiando em tudo que é lugar no caminho entre um ponto e outro, podendo parar a qualquer hora e dependendo da nossa vontade tomarmos outra direção, como no dia em que saímos para a Feira de Mataderos e fomos parar na porta do Cemitério da Chacarita, antes de irmos para Palermo.

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Mas enfim, conhecemos vários pontos interessantes da cidade que tínhamos deixado para trás da primeira vez, como a Corrientes “pós 9 de Julio”, onde percorremos os teatros, lojas e galerias maravilhosas, como o Paseo La Plaza, um oásis no meio do caos dessa avenida, o maravilhoso sorvete da Cadore, a espetacular pizza da Guerrin entre outras maravilhas gastronômicas. No mesmo outro lado da 9 de Julio, também percorremos a Av. De Mayo até a Plaza del Congreso, passando pelo lindo Ed. Barolo e o cojunto arquitetônico de tirar o chapéu de toda a área. Aliás, falando em arquitetura, tivemos o prazer de conhecer o espetacular Palacio de Aguas Corrientes na Balvanera (Cordoba 1950), é de cair de joelhos, realmente.

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Dos museus, fomos conhecer o Cabildo e Museo del Bicentenário, além do necessário MNBA na Recoleta e o Centro Cultural Recoleta, claro. Dos shoppings, fomos ao Abasto, Buenos Aires Design e Patio Bullrich. Pegamos uma outra mania em BsAs: entrar nas igrejas. Cada uma mais linda que a outra, sendo que o destaque é para a Catedral na Plaza de Mayo. E conseguimos algo bem salutar para um casal de turistas em Buenos Aires: ficar longe da Florida e Lavalle! Hahaha! Passamos lá apenas duas vezes rapidamente para o câmbio e comprar uma lembrancinha na Falabella.

Percorremos bairros nunca dantes navegados (por nós claro, rs), como Chacarita, Villa Crespo, Caballito, Belgrano (incluindo Barrio Chino), Mataderos, Balvanera, Almagro, Liniers. Destaques para o agradabilíssimo Caballito e o bonito Belgrano, principalmente a área de casas perto do Estadio do River.

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Mataderos foi nossa frustração dessa vez, fomos num domingo decididos a conhecer a famosa feira, porém ao saltar na estação de metrô em Boedo, onde pegaríamos o ônibus para Mataderos, caía uma chuva torrencial. E como o próprio site da feira diz, ela é cancelada automaticamente em caso de chuva, então desistimos e voltamos. No dia seguinte era feriado nacional e voltamos lá, mas ao chegarmos deparamos com feira nenhuma, e ao perguntarmos porque não havia feira se era feriado nacional, um senhor nos respondeu que não havia porque era o dia da Virgem. Aliás esse dia da Virgem em BsAs é algo muito sério pois a cidade não para somente no dia, mas em todo o feriado prolongado, três dias de quase nada aberto ou funcionando. Fica a dica especialmente para quem vai fazer uma viagem curta, evitem marcar a viagem para o período desse feriado (08/12). Enfim, depois dessa frustração resolvemos bater perna pelo bairro e tomar café num notável chamado Oviedo, nada que valha a pena a viagem, tanto o café quanto o bairro, vá lá somente para visitar a feira.

Um ponto alto de nossa viagem foi a ida até Tigre, pegamos o trem do Retiro até Bartolomé Mitre, e de lá o Tren de La Costa, lindo trenzinho de dois vagões que nos leva por lugares maravilhosos, como Barrancas e San Isidro, tão maravilhosos que resolvemos saltar neles e bater perna! Rsrs! Em Barrancas tomamos um sorvete delicioso no café construído ali mesmo na estação e andamos pelas ruas de casas espetaculares. Em San Isidro almoçamos, visitamos a igreja linda de lá e um pouco da cidade, além dee conhecermos um lugar que para mim foi emocionante, o Museo del Rugby. Eu, que sou fã desse esporte, fiquei maravilhado, é um lugar bem pequeno no acolhedor centro comercial onde fica a estação de trem. Esse museu ocupa duas ou três lojas do térreo e é administrado por um simpaticíssimo Sr. Jorge, que fez questão de me guiar por uma visita e discutir o esporte enquanto me mostrava verdadeiras preciosidades do rugbi argentino e mundial, inclusive uniformes antigos da seleção brasileira. E o homem é uma verdadeira enciclopédia do esporte, explica e responde qualquer pergunta com grande facilidade e imenso prazer. Para quem gosta, é visita obrigatória.

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Depois de tudo isso rodamos a cidade e fomos rapidamente ao Puerto de Frutos, um gigantesco mercado que está na nossa lista de prioridades para a próxima viagem.

Mas foi rápido, isso porque tivemos que voltar às pressas para BsAs porque tinha algo que eu queria muito fazer desde a primeira vez e não tinha conseguido, ir a um jogo de futebol. E a oportunidade era naquele dia, quando dois times grandes da cidade jogavam um clássico pela última rodada do campeonato, Velez Sarsfield e San Lorenzo. Dos outros times da região metropolitana que jogariam em casa nessa rodada, o Racing teve seu jogo transferido para a semana seguinte para decidir o título, e o Boca… Bem, é quase impossível conseguir ingresso para La Bombonera, portanto desencanei. Já River e Indenpendiente jogariam fora, então era a minha única chance. Chegamos na estação Retiro faltando 1 hora e pouco pro início do jogo (20h45) e diante disso a solução foi pegar um taxi até Liniers. Já imaginam o quanto custou a corrida, atravessando a cidade de ponta a ponta! Rsrs! Mas valeu a pena, conseguimos chegar a tempo, comprar os ingressos e assistir ao jogo.

Na volta tivemos que pegar um ônibus até Palermo e de lá um outro a Monserrat, não sem antes dar uma passada na Kentucky para uma pizza. Aliás, dessa vez nossa alimentação foi à base de pizza e helados, principalmente a de jamón y morrones da Kentucky. Mas também passando pelas obrigatórias fugazzetas da La Cuarteta, La Rey e outras. De sorvete, eu deixo aqui uma dica obrigatória: estando em Buenos Aires, aconteça o que acontecer, não deixe de ir à Heladeria Boutique Búffala, esquina de Pueyrredón com Juan María Gutiérrez, na Recoleta. Falando em Recoleta, esse bairro também mereceu nossa atenção, seja gastando tempo na grama da Plaza Francia ou no Buenos Aires Design ou na feira de artesanato. E ali ao lado, em Palermo, fomos a uma incrível feira de artesanato anual no centro de exposições La Rural, a Feria Internacional de Artesanías 2014, onde, entre artesanatos maravilhosos, haviam comidinhas como doce de leite e geleias artesanais, todos devidamente comprados. E em Palermo também não poderia faltar a visita ao lindo Rosedal.

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E o outro grande ponto alto da nossa viagem se deu na segunda feira, véspera da volta, quando tivemos o prazer e a honra de jantar com o digníssimo autor deste excelente blog, o Túlio, cara nota 1000, que nos levou ao Sarkis, um excelente restaurante árabe na Villa Crespo (ou Palermo, ele sabe melhor que eu). Lá comemos tabule, kibe cru e uma kafta com molho de iogurte de outro planeta, e após isso, um excelente sorvete na Persicco, ao lado da Plaza Serrano, em Palermo. Tudo regado a cerveja, um ótimo bate papo, muita figurinha trocada e a certeza de um novo encontro, dessa vez no Rio. Com certeza um fechamento com chave de ouro da nossa viagem. Melhor impossível, valeu Túlio!

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E foi assim. Nossa dica principal é: não tenha roteiros, não siga muitas regras, vá atrás do seu coração, da sua intuição, da sua vontade e perca a inibição, sem descuidar da segurança claro, e vá aonde o vento levar. Você pode deixar de ver coisas que tinha programado ou até desejado ver, mas com certeza se surpreenderá com os lugares inusitados que lhe serão revelados e com a riqueza cultural proporcionada. Se for fazer como nós, calce um tênis confortável e compre um cartão SUBE. E com essas armas saia batendo perna pela cidade e usando o eficiente transporte público em todas as suas opões para a locomoção entre locais mais distantes, e vá sem medo de ser feliz. Lembre-se, o argentino pode ter fama de mal humorado e fechado, mas na verdade é bem receptivo e prestativo, não tivemos qualquer problema em encontrar ajuda e respostas em qualquer lugar que estivemos, além disso eles realmente gostam bastante de nós brasileiros, e da minha parte e da Graci a recíproca é totalmente verdadeira. Mi Buenos Aires querido.

Um grande abraço a todos! Marcelo e Graciane.

Poxa Marcelo, ótima dica! Com certeza viajar sem roteiros deixa tudo mais interessante! E é pura verdade, os argentinos realmente gostam de brasileiro e morrem de vontade de visitar o Brasil! Essa rixa Argentina X Brasil é mesmo só no futebol. Foi um prazer conhecer vocês, ainda mais com aquela deliciosa comida do Sarkis.

Se você gostou do relato do Marcelo, pode ver outros roteiros de viagens para Buenos Aires na categoria DICA DO LEITOR.

E se você já visitou a cidade, que tal compartilhar sua experiência conosco? Faça igual ao Marcelo e mande seu relato com algumas fotos para airesbuenosblog@gmail.com.

Confira todas as nossas dicas de hotéis em Buenos Aires. São vários posts com resenhas, melhores bairros e muitas outras dicas.

Se está planejando sua viagem para Buenos Aires, não deixe de contratar um bom seguro viagem. Ninguém espera que algo aconteça, mas vai que acontece. Melhor estar prevenido, não é?!

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E não deixe de conferir todos os passeios e ingressos que poderá comprar com antecedência. 😉


9 comentários

  1. Pingback: 8 dias em Santiago - Dica do leitor | Aires Buenos | Turismo, guias de viagem e segredos de Buenos Aires

  2. laura

    Adorei o relato, sem pre faço isso em BUE, andar sem rumo, descobrir cantinhos nunca dantes visto…

  3. Edinalva que bom que vc gostou..era essa a nossa intenção,poder inspirar as pessoas a andarem sem rumo,dobrar na próxima esquina e descobrir tudo que B.aires tem a oferecer de bom.Quando você for lá faça isso e verá como vale a pena.

  4. Nossa, que retorno! Adorei a viagem sem roteiro certo de vocês Marcelo e Graciane! Que vontade imensa de andar por Buenos Aires, assim, com destino e sem destino ao mesmo tempo, muito inspirador, valeu pelas dicas!!

  5. Oi Túlio.Ficou muito bom nosso relato com as fotos.Que saudade que bateu dessa terra e dos amigos que aí fizemos.Espero poder voltar em breve pq claro tem muito ainda a conhecer desse lugar que aprendemos a amar desde a primeira vez.Bjos

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