Por una cabeza: um dia no Hipódromo de Palermo

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Assistir a uma corrida de cavalos nunca esteve entre meus planos e, confesso, não é exatamente o meu ideal de diversão. Mas estamos em Buenos Aires, o Hipódromo de Palermo é um lugar incrível e eu não queria perder a chance de repetir aquela frase do clássico tango de Carlos Gardel.

Por una cabeza: um dia no Hipódromo de Palermo

Os argentinos são fanáticos por corridas de cavalos. Eu achava que isso era lenda, coisa de antigamente, mas não: toda semana centenas deles (sim, geralmente homens) se amontoam nas arquibancadas do hipódromo para torcer para que o cavalo de sua aposta chegue primeiro, nem que seja apenas por una cabeza.

hipodromodepalermo01Fundado em 7 de maio de 1876 nas imediações do Parque 3 de Febrero, o Hipódromo Argentino de Palermo conta com uma pista de areia de 2.400 por 28 metros e outra de grama de 2.200 por 20, com capacidade para duas mil espectadores na tribuna oficial, em estilo neoclássico. Como o hipódromo conta com um sistema de drenagem supermoderno, as corridas não são suspensas em dias de chuva – mas tadinhos dos cavalos e dos jóqueis, né?

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Foto: Elisandro Dalcin

Você pode assistir à corrida das arquibancadas populares (tribuna Paddock), com entrada gratuita, ou da tribuna oficial, que custa 25 pesos e exige traje “sport” (basta ir de sapato que tá valendo). Fomos na ala popular mesmo, porque queríamos economizar para o que interessa: apostar nos cavalitchos!

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Foto: Elisandro Dalcin

A primeira coisa a fazer chegando lá é comprar “La Rosa”, suplemento da Revista Palermo impresso em papel jornal cor de rosa à venda por $50 pesos (preço de setembro de 2016) na entrada do Hipódromo. Lá, você vai encontrar tudo sobre a “atividade turfística argentina” e também todos os detalhes sobre a corrida do dia, desde a idade e a árvore genealógica dos cavalos até o peso dos jóqueis. O legal é que a revista traz estatísticas das últimas corridas, quem são os favoritos e os azarões, enfim, dados essenciais para quem quiser se aventurar em uma primeira aposta.

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Foto: Elisandro Dalcin

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A famosa revistinha.

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Homem estuda sua próxima aposta (Foto: Elisandro Dalcin)

O próximo passo é conferir o “desfile” dos quadrúpedes que estarão no próximo páreo. Os mais entendidos na arte do turfe podem sacar o porte e o trote dos animais, enquanto quem não manja nada pode só admirar, mesmo.

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Cavalos desfilam antes da corrida. (Foto: Elisandro Dalcin)

Considerando que o valor mínimo da aposta é 3 pesos (menos de R$1), a brincadeira pode ser divertida e não tão arriscada. As corridas acontecem a cada meia hora (das 15h às 21h) e uns minutos antes os telões dos guichês de aposta exibem o valor pago por peso apostado, conforme o cavalo: aqueles com mais chance de ganhar (por seu histórico e performances anteriores) prometem pagar menos, em geral de 2,50 a 6,50 pesos. Já aqueles com menores chances podem pagar até 30 pesos. Portanto, se você apostar 100 pesos neste cavalo e ele vencer, você pode faturar 3.000 pesos em questão de minutos, já pensou?

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Fila para apostar. (Foto: Mariana Sanchez)

É claro que isso não aconteceu com a gente (afinal, eu e Eli temos sorte no amor, não no jogo, haha!). Apostamos um total de 70 pesos em cinco cavalos diferentes e nenhum chegou em primeiro. Nem podemos cantar que perdemos “por una cabeza“, já que foi pelo corpo todo, mesmo.

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Setenta pesos mais pobres.

Se você perder algum tempo estudando a coisa, pode tentar modalidades de aposta mais sofisticadas, como a Exacta, Imperfecta e Trifecta, mas a gente foi na mais simples, em Ganador. Fomos de “Loquillo”, “Gran Banker”, “Perfect Zorzal”, “Milagroso Glory” e “Collicura”, nomes engraçadíssimos, mas não tanto quanto “Enfurruñado”, “Amiguita Unica”, “Eat the Dust”, “Fuiste tu”, “Mono Loco”, “Qué Copada”, “Rey del Caribe” e o singelo “Labios de Rubi”.

Carlos Gardel, aliás, tinha um puro sangue chamado Lunático – que certamente deve ter ganhado ou perdido “por una cabeza“…

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(Foto: Elisandro Dalcin)

É impressionante como o povo torce e grita em desespero quando os cavalos se aproximam da linha de chegada. Depois, o vencedor posa para a foto oficial em frente à tribuna popular, e é muito legal ver como, em dias frios, sai fumacinha do pelo dos cavalos.

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(Foto: Elisandro Dalcin)

Ao longo do ano são mais de cem corridas disputadas, geralmente às segundas-feiras. Também acontecem às vezes nas sextas e em um domingo por mês. Antes de ir confira no Calendário do Hipódromo. A disputa mais importante do calendário é o Gran Premio Nacional, sempre no mês de novembro (evento declarado de Interesse Turístico Nacional). Depois vem o Gran Premio República Argentina, que acontece no dia 1o de maio, entre outras disputas menores. A primeira edição do Gran Premio Nacional foi em 1885 e teve a presença do então presidente Julio Roca (aquele, das notas de cem pesos e do genocídio indígena). O vencedor foi Souvenir, cavalo montado por um jóquei de apenas 11 anos de idade.

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“Horse Parade”: Escultura pintada pela artista Fernanda Cohen. (Foto: La Nación)

Além do turfe, o Hipódromo de Palermo também oferece outras atrações, como uma galeria de arte (onde, atualmente, é possível ver a mostra “Horse Parade”, em homenagem aos 140 anos do hipódromo), um cassino imenso com várias salas e slots caça-níqueis, e diversos bares, bistrôs e restaurantes. O mais importante é a sofisticadíssima confeitaria La Paris, inaugurada em 1911 e aberta diariamente para café da manhã, almoço e jantar (vá, mas prepare o bolso ou tenha sorte nas apostas!).

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Entrada da confeitaria La Paris (Foto: Guia Oleo)

O Hipódromo fica no cruzamento da Avenida Libertador com a Dorrego, e os ônibus que te deixam mais próximo dali são o 160, 10, 34, 130, 166 ou 42. De metrô, pegue a linha D, desça na estação Ministro Carranza e caminhe um bocado.

Hipódromo Argentino de Palermo
Avenida del Libertador, 4101
Fone: 11 47782800

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1 comentário

  1. Guilherme

    Jorge Ricardo, conhecido como Ricardinho e o maior vencedor do turfe no Brasil foi morar na Argentina e disputa o titulo de maior vencedor de corridas do mundo. Você provavelmente o viu correr e nem sabia desta curiosidade.
    Volta lá e grita “vai Ricardinho!” quando ele tiver no aquecimento 😉

    obs: não sei se ele já é o maior vencedor do turfe Argentino. Se não for ta perto rsrs

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