Antiquários de San Telmo

Uma expedição pelos antiquários de San Telmo

Alugar apartamento mobiliado e decorado tem mil vantagens, mas quando você deixa cair no chão um pratinho de porcelana japonesa pintado a mão, sabe-se lá de que época, preço e valor sentimental, o jeito é rezar para o proprietário não ficar muito furioso contigo.

Antiquários de San Telmo

Por outro lado, raciocinei: se fosse um item tão valioso, digamos, uma relíquia de família, não estaria bamboleando na pia do banheiro de um apartamento alugado para terceiros. De modo que nem tudo estava perdido. E, como estamos em San Telmo, não seria tão complicado achar outro pratinho para repor o avariado.

Uma expedição pelos antiquários de San Telmo

Antiquários de San TelmoComecei a peregrinação pelos antiquários do bairro numa manhã de sábado de muito frio e sol. Como a maioria das lojas se encontra na calle Defensa, onde acontece a Feira de San Telmo nos domingos, a passos do nosso apê, fui com fé e sem nenhuma pressa. A primeira parada foi na Alberto Roldan Antigüedades, onde mostrei a foto da peça quebrada e o vendedor me mostrou algumas opções parecidas. Havia peças preciosas, mas a preços bem salgados. Logo descobri que barganhar não só é possível como esperado, e o pratinho que antes sairia 750 pesos terminou custando 300. Agradeci, mas continuei as buscas.

Antiquários de San Telmo

Fachada da galería La Candelaria, do século 18.

Cruzando a rua, à altura 1170, a La Candelaria é uma galeria de arte e antiguidades sediada no solar de um prédio de 1745 que já foi colégio jesuíta. Não encontrei o que procurava, mas na loja dos fundos do casarão uma placa anunciava descontos de 30%, por motivo de fechamento. Outro vendedor disse que essa é uma velha estratégia para atrair clientes desinformados, sedentos por uma pechincha. Se é balela ou não, difícil dizer, mas a 300 metros dali outro antiquário informava estar baixando as portas. Conversei com o proprietário e ele explicou que o negócio vem se tornando pouco rentável: “de 2011 pra cá, os turistas que mais chegam aqui não se interessam por antiguidade. Há poucos europeus endinheirados, agora o que mais se vê são brasileiros”, disse, talvez como uma provocação. Constrangida, tentei disfarçar o sotaque ao me despedir, lhe desejando “suerte”.

Antiquários de San Telmo

Saí pra rua de novo, sempre caminhando pela Defensa. Na San Telmo Chico, encontrei pratinhos lindos e também bonecas que já fizeram a alegria de outrora, mas hoje parecem apenas assustadoras. Fucei ainda as velharias da Fior de Ligi (no número 517) e de uma pequena feira de antiquários na altura 834, onde um vendedor cobra 20 pesos de quem quiser se arriscar em uma compra surpresa (não resisti e fui agraciada com um maldito espelhinho Made in China. Ninguém manda ser curioso).

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Surpresa: um suvenir falcatrua para curiosos como eu.

Atraída pela voz de Chavela Vargas ecoando de um alto-falante, fui entrando na Galería de la Defensa, com seus pátios oitecentistas de piso quadriculado e paredes descascadas. O primeiro impulso, ali, é sacar a câmera e sair clicando tudo desembestadamente, mas não faça isso: há vários cartazes proibindo fotos, os quais só fui ler quando já era tarde, levando um pito de um vendedor quase mais velho do que o edifício.

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Favor não fotografar. Tarde demais.

Percorrendo as barraquinhas da praça Dorrego, no coração do bairro, fiquei encantada com umas facas artesanais de Tandil a 250 pesos. Faz tempo que o Eli quer uma dessas. Ademais, um cuchillo me parecia infinitamente mais útil do que um prato de porcelana pintado a mão, mas eu não estava ali para presentear meu marido, e sim para repor uma peça quebrada. Foco, Mariana.

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Mercado de San Telmo: é clichê mas é legal.

Finalmente, decidi entrar no antigo Mercado de San Telmo, na esquina da Defensa com a Carlos Calvo. E foi ali que encontrei não apenas minha porcelana japa a sensacionais 40 pesos (10 dilmas!), como uma infinidade de artigos pitorescos e extremamente originais a bom preço. Como em todo mercado popular, neste também é preciso ter paciência e faro apurado (os alérgicos sofrerão um bocado com o mofo e a poeira) para descobrir tesouros ocultos. Se você não está buscando nada em especial, é aí que vai encontrar. E, se está, também vai. Não tem erro.

Cavalinhos de carrossel, fotos eróticas do século passado, um disco do Julio Iglesias. O que de mais inusitado você já encontrou entre as velharias de San Telmo? Conte pra gente!

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8 comentários

  1. Paulo

    Não digo que encontrei algo inusitado, mas ao deparar com alguns topo gigios ( boneco que fez parte da minha infância) sendo vendidos como antiguidade me dei conta o quão velho estou..rs rs rs

  2. Giselle Corrêa

    Ai deus, mais um lugar para entrar sem pressa de sair. Mas, uma dica, amiga. Volta lá e compra a faca para o dindo. 😉

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