Viagem para especialização em moda – Dica do leitor

A Louise veio para Buenos Aires com o objetivo de fazer sua especialização em moda e ficou encantada pela cidade, tanto que até promete vir para as terras portenhas novamente para uma especialização extensiva.

No roteiro da Louise tem várias dicas para quem tem um olhar mais ligado à moda, comportamento e estilo, desde onde achar roupas vintage até os melhores lugares para se comprar quinquilharias. Ela também fala sobre a noite de Buenos Aires e conta um pouco da sua experiência nessa estadia de 15 dias na Argentina.

Para ter um guia maravilhoso com você, modéstia à parte, o Aires Buenos fez um roteiro de 4 dias com dicas bem legais, por isso baixe o Guia Básico – O que fazer em Buenos Aires (4 dias).

15 dias em Buenos Aires

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Oi Túlio! 🙂 Oi gente!

Passei 14 dias em Buenos Aires fazendo um curso de especialização na minha área (moda) e já estou comprando a passagem para estudar por um tempo mais longo no ano que vem!

A cidade é linda e charmosa, mesmo com o friozinho (que na verdade é friozão) do começo da primavera, que é diferente daqui, começando pelo clima e também pelas flores! Em BsAs vemos muitas banquinhas de flores, cada bouquet com cores mais lindas que as outras.

Bem, queria mostrar um pouco do meu roteiro, já que fiz um pouco dos passeios turísticos, mas também quis me sentir como uma porteña! Afinal, trabalhar com moda não é só trabalhar com roupa, é também observar comportamentos. Vamos lá!

Primeiro dia
Viajei pela Tam e pela Lan no dia 22 de setembro. Cheguei em Ezeiza tarde, umas 22h30. Peguei o táxi e fui para a Av. de Mayo, no Milhouse Hostel, que é bem grande e tem até elevador. Esse foi o primeiro hostel que fiquei que é grande, não gostei muito porque tem muita gente.

Precisava ligar para casa, mas não consegui ligar do hostel. Fui para a rua procurar um kiosko ou locutório para me ajudar. Mas não tinha nenhum disponível.

Já que não pude fazer muita coisa, aproveitei para comer e fui ao Iberia, bem ali na esquina, perto do Teatro Avenida. Pedi a famosa empanada e me apaixonei assim, loucamente, nos primeiros minutos em BsAs.

Segundo dia
Acordei cedo, tomei meu café e fui direto para a rua! Não era dia de aula, então decidi conhecer um brechó (feria americana, como chamam em Buenos Aires). Fui no Juan Perez, na Calle Marcelo T. Alvear, que é super estiloso! Fiz umas compras básicas de peças retrôs muito bem conservadas e amei. Prometi voltar outro dia, já que recebem roupa todos os dias.

O almoço foi no El Cuartito, que tem porções de pizza super generosas por um preço muito camarada (destaque para a pizza de anchovas).

Andando pela Av. 9 de julio, tirei algumas fotinhos, principalmente no Obelisco. Fui aos dois extremos da Av. de Mayo, do Congresso até a Casa Rosada, para fazer umas panorâmicas com a câmera. Me perdi, foi lindo. Voltei ao hostel e à noite conheci o Bellagamba, um bodegón muito interessante, adoro bares assim! Vá e sirva-se! Fica na Rivadavia!

Terceiro dia
Primeiro dia de aula, logo de manhã. Ansiedade a mil! A escola fica na Calle Peru, em San Telmo, bairro que adotei de coração!
Após a aula, almocei por lá mesmo, e fiz uma fotinho com a Mafalda, claro!

Me perdi em SanTelmo e acabei conhecendo um mercadinho de pulgas que quase fiquei louca. Antiguidades, muitas roupas antigas, brincos, tapetes e tudo aquilo que uma pessoa super retrô quer levar para casa!

À noite, fui ao Complejo Tango, achei o lugar pequeno e acolhedor. Para quem não curte shows enormes, quer algo mais intimista, o Complejo é o lugar certo! Sem contar que conta com o serviço de transfer e uma mini aulinha de tango antes do jantar/show. Você não sai de lá dançarina, mas garante umas risadas!

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Quarto dia
Ao sair do hostel, deparo com um pessoal fazendo manifestação em frente, desde a Av. de Mayo até a Av. 9 de julio. Como estava indo para o mesmo rumo, acabei acompanhando pela calçada, vi até um senhor um pouco enérgico com outro no meio da avenida. Mas tudo seguindo de forma pacífica.

Voltei a San Telmo (eu disse que era amor, não disse? Rsrs) para fazer umas fotinhas e conhecer um pouco mais do bairro. Conheci muitas lojas independentes, principalmente na Calle Defensa, que é meio que o coração do bairro, e onde rola a feirinha do domingo. Parei para almoçar no Desnivel, que tem um bife de lomo com molho de cebola maravilhoso, sem contar o ambiente.
Ah, vale lembrar que se você gosta da carne bem passada, tem que pedir “cocida”, no meu caso “bien cocida por favor mi amor’. Rsrs! Ao sair do restaurante, começou a chover. Estava com uma amiga, então pegamos um taxi até a Plaza San Martin. De lá, descemos até o banco.

À noite fomos conhecer o El Federal! Fica na Calle Carlos Calvo, bem na esquina com a Calle Peru, 599! A comida é ótima, o lugar é lindo e tinha uma cantora com uma voz muito potente.

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Quinto dia
Após a aula fui conhecer o Teatro Colón e depois comprar um cartão subte! Peguei o metrô rumo a outros cantos. Conheci o lindo Shopping Abasto e o almoço foi no Mostaza, que é quase um Mc Donald’s argentino. Gostei!

Depois fui conhecer o museu do meu muso, Carlos Gardel. A entrada é 5 pesos e de quarta-feira a entrada é gratuita. O museu é bem pequeno e tímido, mas muito amorzinho, com documentos, fotos, alguns vídeos e objetos pessoais do querido tangueiro. O que me chamou a atenção na cidade, principalmente naquela rua (Jean Jaures) foram as casinhas, os desenhos iguais dos filletes porteños. Apaixonei.

À noite fui dar uma volta em Puerto Madero, pero não queria jantar por lá.
Voltei a pé, passei pelo Luna Park, parei no pub The Clover para tomar uma quilmes e jantei pizza no Kentucky da Av. Santa Fé! Estava super lotado, já que os porteños gostam de jantar bem tarde (o que gosto também, pois sou meio noturna).

Sexto dia
Conheci a tão falada Calle Florida, uma turismolândia de brasileiros a céu aberto, cheia de barulho, comércio e “Câmbio, câmbio, câmbio, dólar, reales, câmbio”! É lá que rola o bafão paralelo, e na Calle Lavalle também.

Meio dia perdi a paciência e fui conhecer o Caminito, que é lindo e muito amor, mas em 20 minutinhos você conhece tudo! Vale ir para pegar uma inspiração, as casas coloridas são o must da fofura, mas é um bairro bem turístico. Passeie pelas galerias para notar! Valeu a pena comprar um sapato bonitinho e um licor de dulce de leche divo. Não gostei do almoço. Pedi choripan e não gostei. 🙁

O dia estava de sol, então deu para fazer focinhos! Andei por La boca e seus corticinhos, aquela parte que o pessoal não coloca no cartão postal. Voltei de ônibus, me sentindo uma mini porteña. Rsrs.

No fim da tarde conheci o Museo Evita. Quem gosta de história ou quer conhecer mais sobre a história, política e também dramaturgia argentina tem que dar uma passadinha no museu, que conta a história da grande Eva Perón. Fiquei emocionada na saída, com uma foto enorme dela na parede, se despedindo. Era como se estivesse agradecendo a visita.

Vale dizer que me perdi de ônibus na volta, fui parar lá naqueles galpões em La Boca e o motorista foi um amor, super atencioso. Ele não me deixou descer e me mostrou onde era melhor eu descer com segurança, que era quando chegasse perto da Av. de Mayo.
À noite, conheci o El Álamo (Calle Uruguay, 1175), um pub. O bom de BsAS é que é cheinha de pubs, barzinhos, a cidade não para nunca. Fiquei conversando um tempão com um porteño muito simpático. A entrada era 75 pesos, e você podia consumir esse valor todo, caso passasse, era só pagar o valor a mais. Ah, e mulher até meia noite tinha cerveja free. De procedência meio duvidosa, mas mesmo assim estava bom!

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Sétimo dia
Feira de San Telmo! Embora o dia fosse de chuva, deu para passear bastante.
Tomei um café na London City (Av. de Mayo, 599). Lá é barato e tem as medialunas mais fofinhas que provei!
Tava rolando na Av. de Mayo uma feirinha chilena e paraguaia, com comidinhas, música e também tinha um palco em frente à Plaza de Mayo! O dia foi para conhecer as fofuras da feira, as antiguidades… BsAs é um poço de velharias, quinquilharias e otras cositas más!

O lugar mais vazio para almoçar foi na Pizzeria Los Talentos, simples e gostoso.
Encomendei um fillete porteño de uma artista magnífica que estava na feira. Ela se chama Noemí e faz personalizado (precisa encomendar com uma semana de antecedência). Fica logo no começo da Calle Defensa, esquina com a Calle Alsina. Paguei 300 pesos.

Oitavo dia
Aula em Palermo Viejo. Sempre observando as vitrines e conhecendo mais a moda argentina. Há sim uma diferença com o Brasil, mas os traços mais marcantes das argentinas estão gritando: a plataforma inteiriça creepers, muito brilho, verniz, mulheres que não dispensam franja (e me senti em casa).

Aquele pedacinho era mais residencial, também muito charmoso como toda a cidade, mas bem mais elitizado. Sou distraída e tive que tomar cuidado com o corredor de bicis.

Almocei no La Clac, na Avenida de Mayo, meu primeiro bife de chorizo. Não recomendo muito o lugar. Carinho. Meio furada.
Tomei sorvete de dulce de leche no Rondas e no Abuela Goye, e de longe o da Abuela é mais gostoso.
À noite fui conhecer o famoso Café Tortoni e posso dizer apenas que é bonito. Só. Meu grande amor estava para chegar.
Estava prontinha para ir ao Severino Club, que estava rolando uma festa alternativa! Mas o sono me venceu.

Nono dia
Conheci a Catedral da cidade, mas estava muito cheia, por causa de uma excursão de escola. Mesmo assim deu para conhecer bastante. Tomei um cafezinho gostoso com medialuna no Havana e fui andando até a Recoleta. Conheci o Museu das Armas e achei muito interessante. Ele é quase em frente à Plaza San Martin e a entrada é 10 pesos.

Depois encontrei o pessoal do Free Walk Tour e fui conhecer mais a Recoleta. O passeio é contado em inglês, o que me deu uma certa preguiça, odeio pensar em inglês. Mas conversava com a Mag, a organizadora, em espanhol. O passeio dura umas duas horas, começa às 17h na Plaza San Martin e é grátis, mas vale dar uma quantia significativa em pagamento. No caso, paguei 30 pesos. O passeio roda partes importantes da Recoleta e termina em frente ao cemitério, que é super famoso. Era hora de fechar, então não entrei. Gosto de arquitetura até tumular, mas não sei se dá para a gente cultuar alguém depois que morre. Admirar em vida é grande já.

Depois disso fui para o Hard Rock Café, que tem precinho de Outback, mas vale a pena conhecer! Fica na Av. Pueyrredón, 2501.

Décimo dia
Cedinho saí rumo à Recoleta novamente, encontrar minha professora. Mais aulas de observação e comportamento, além de conhecer algumas feiras americanas!

Durante o caminho, vi vários passeadores de cachorros e o quanto é comum trabalhar com isso. Aliás, fiquei sabendo que o pessoal ganha uma graninha extra passeando com os perros.
Conheci a galeria Bond Street, quase a galeria do rock porteña, mas bem menor (e escura) que a de São Paulo! Conheci também a galeria 5ª Avenida, cheia de brechós e lojas de roupas pin ups. Deu para fazer a festa!
No caminho, muitos vendedores de flores, o que fez lembrar que mesmo com alguns dias cinzinhas, era primavera.

À tarde, peguei um bus rumo à Chacarita! Estava louca para conhecer esse bairro que não faz parte do circuito dos turistas. Gosto de conhecer os costumes pelos bairros, andando, me perdendo, caminhando. O bairro é grandinho, mas o cemitério ocupa um pedação dele! Aproveitei para comer no Imperio de la Pizza, que tem uma fugazzeta diva, vale a pena!

À noite fui me encontrar com um amigo no Bellagamba de San Telmo, e realmente, o da Rivadavia era bem mais legal. Experimentei o Fernet Cola e amei.

Na madruga, fui para Asia de Cuba em Puerto Madero (por que eu não fui ao Severino aquele dia?). Fui linda achando que ia rolar um reggaeton, mas cheguei e tava tocando Rihanna(ton). Odiei horrores. Seguranças sem educação, gente fumando e soprando na sua cara. Vontade de matar na unha.

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Décimo primeiro dia
Ahá! Eu disse que meu amor ia chegar! Peguei o metrô, linha A (que parece que vai descarrilhar) e fui ao Cafe de las Violetas na Av. Rivadavia, 3899 (Medrano). Lá é bem mais bonito que o Tortoni e te um preço em conta. Almoço de um lado do salão e café do outro. Bife perfeito e atendimento cordial. Sim, vale a pena! E não é cheio de turista.

Saí para admirar fachadas, principalmente aquelas que estão com a bandeirinha da Argentina pintada. Me encanta!
Voltei a San Telmo para conhecer a Manzana de las Luces e o Museo del Traje. A entrada é gratuita e mostra a evolução das roupas. Um museu bem simples, se você passa em frente nem se toca que é um museu. Eles ministram cursos de moda também!
Além disso vale conhecer o Museo de la Ciudad, na Calle Defensa com a Alsina, cheio de filletes porteños!

À noite fui encontrar um amigo no pub The Kilkenny, na Calle Marcelo T. Alvear. O chopp é ótimo, mas não tinha Quilmes. No andar de cima, rola reggaeton e cumbia! Aí sim! E o pessoal dança pra valer.

Décimo segundo dia
Tomei café no Goya, na Av de Mayo, rumo a San Telmo. Depois da aula, almocei no Cervantes (entre a Calle Callao e a Riobamba), perto do Congresso. Vem muita comida e é bem barato. Mas não tem guardanapo de papel. Só de tecido. Deu nojinho.

À noite fui jantar com meu amigo (a essa altura vocês já sacaram que esse amigo é mais que um amigo) no Xristo, em Palermo. Um restaurante japonês belíssimo e com comida magnífica. Não ficou devendo nada para os japas do Brasil.

Décimo terceiro dia
Fui conhecer o Barrio Chino e provei ali o pior camarão da minha vida. Mas o bolinho de leguminhos era mara. Lá tem tudo que você imagina e não precisa: brinquedinho chinês, lenço chinês, esmalte chinês, chinês e chinês e outras coisas (chinesas). E sempre lotado. Mas é bem pequeno, tem que tomar cuidado com a linha do trem, e ah! a Liberdade, em São Paulo, é mais bonita.

À noite fui conhecer o Bar (boliche) do Roberto (Calle Bulnes, 331). Um lugar antigão, cheio de garrafas empoeiradas e bebidinhas gostosas. Mas aconselho chegar tarde!

Fiz amigos lá, o pessoal é muito receptivo e logo puxam conversa!
Mais tarde a fome bateu e fui ao Guerrin, que estava mega lotado e deu até vontade de ir embora, mas a fome era mais forte. O preço é um pouco mais caro que das outras pizzarias, mas é bem bom! O legal é que a noite porteña tem muita gente, principalmente na Av. Corrientes, que é cheia de bares e teatros. As pessoas vivem mesmo a cultura e a noite.

Décimo quarto e último dia
Choveu muito, o clima estava até de despedida. Arrumei meus alfajores Cachafaz na mala, junto com minhas outras compras e parti para mais uma feira de San Telmo, que estava difícil de circular devido ao mal tempo.

Parei no Cabildo, almocei na Rotisseria Vieja de novo, onde o atendimento é muito bom. Fica na Calle Defensa. Estava na dúvida entre o Don Ernesto e lá, mas o primeiro estava muito lotado. Ficou para a próxima.

Fiquei arrumando minhas coisas para voltar e a noite comprei 1/4 de pizza no Ugis (por 9,99 pesos) e uma Pepsi. A pizza lembra a do Brasil, pois não é massenta, é fininha. Mas eu gosto dos dois jeitos.

Meu voo era super cedo, então de madrugada deixei o hostel com o coração na mão e o retorno já programado para 2015, logo no começo. Bora estudar, agora em uma especialização extensiva. Já deixo aqui que procuro gente para dividir o apê!

Argentina, gracias por todo.
Não chora por mim não, eu volto. Eu prometo!

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Louise, muito legal seu roteiro e suas dicas de brechós e feiras, valeu mesmo! E sim, nada melhor que caminhar pelos bairros e se perder neles. É a melhor forma de conhecer Buenos Aires e os portenhos! Estamos esperando o seu retorno e seu segundo relato!

Para ver mais experiências, dicas e roteiros dos leitores, procures os posts da categoria DICA DO LEITOR

E se você quer enviar seu relato para nós, separe umas fotos bem bonitas e escreva para airesbuenosblog@gmail.com.

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5 comentários

  1. Muito legal, um dos melhores relatos de viagem que já li aqui, principalmente pela identificação com o estilo “se perder pela cidade”, sair andando pra tudo que é lado, gastar sola de sapato. Maravilha. Tambem por gostar mais de San Telmo, assim como eu e a Graci minha esposa, assim como a Los Talentos, que ela inclusive elegeu como sua fugazzeta favorita, superando El Cuartito. Enfiar-se pelo meio da ruas de La Boca, fora do circuito Bombonera/Caminito tambem foi excelente.
    Valeu pelo relato, e como só ficamos 1 semana em BsAs não deu pra ir a tanto lugar assim, mas retornamos em dezembro e aí sim planejamos um roteiro bem mais lado B, gastando sapato nos bairros mais off da cidade.

  2. edinalvamagalhaes

    Adorei o post, que delícia sua viagem e as dicas então, maravilha!! San Telmo é mesmo uma graça, aproveitei pouco, mas deu pra sentir o quanto perdi pelo seu relato… Bom retorno a BsAs e venha aqui pra contar pra gente depois!! Bjuss

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