Viajar nos faz melhor?

Quer ser uma pessoa melhor? Viaje. Quer se colocar no lugar do outro, ter menos preconceito, ter uma cabeça aberta? Saia do seu bairro, cidade, estado, país. Saia, caramba!!!

A melhor maneira de poder entender o seu vizinho chato ou porque um familiar pentelho pensa de certo jeito é conhecer um modo de vida totalmente diferente do seu. Muita gente no mundo está precisando de doses cavalares desse remédio milenar: viajar.

Viajar nos faz melhor?

Uma das frases que mais gosto sobre viagem é essa abaixo do Mark Twain:

“Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness, and many of our people need it sorely on these accounts. Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one’s lifetime.”

Numa tradução livre ele quer dizer “Viajar é fatal para o preconceito, intolerância e cabeça fechada. Muitos de nós precisam muito disso. Visões saudáveis, amplas e compassivas do mundo e das coisas não podem ser adquiridas se vegetamos no nosso cantinho do mundo durante toda a vida”.

viajar nos faz melhor

Havaí, um dos lugares que Twain visitou em suas viagens Créditos: Shutterstock

Mark Twain era um grande viajante no século XIX, uma época que o mundo e as pessoas mal conheciam o que acontecia ali no outro estado.  Era um viajante raiz, não um nutella como a gente hoje que pode pegar avião, usar GPS, pesquisar em blogs, dividir no cartão de crédito,dar estrelinhas no TripAdvisor. O que para muitos era um suplício naquela época, para ele era um prazer: viajar.

Não é à toa que no século XIX a discriminação e preconceito eram enormes e a ignorância imperava. Ninguém conhecia outros modos de vida, outras civilizações e jeitos diferentes de encarar os desafios. Poucos tinham a oportunidade de visitar outras culturas. Twain foi um deles. Deu no que deu. Entrou para a história. Viajou tanto que até virou selo para poder viajar mais. Eternizaram o bigodão!

Hoje é tão fácil viajar. E nem digo pra Buenos Aires ou exterior. Tem as belas chapadas do Brasil, Foz do Iguaçu, Pantanal, Amazônia. Ou nem precisa ir pra longe, só ir para a cidade do lado da sua já pode ajudar a mudar a perspectiva.

E se você tem a chance de ir pra mais longe, o mundo está todo aí.

Digo por mim mesmo. Como olho para trás e vejo que sou uma pessoa melhor, memso começando a viajar tarda na vida. Demorei a engrenar e conseguir um emprego que me desse condições para isso. Admiro muito quando nos nossos passeios do Aires Buenos Tour tem galerinha de 18, 19 anos caindo no mundo.

Hoje sempre que posso viajo. Na minha primeira viagem pra fora, quando morava no Brasil, descobri como os argentinos curtiam os brasileiros, como os uruguaios pareciam tão tranquilos com a vida. No dia depois do Natal em Portland, nos EUA, realmente senti de perto como o consumismo americano não tem limites ao ver a quantidade absurda de caixas de presentes nas lixeiras do bairro onde estava. Em Paris fui fisgado pela magia da cidade, mas também aprendi como você pode se sentir inseguro numa cidade dita de primeiro mundo. Viajei pra New Orleans e descobri uma cidade com voodoo, comida picante e muita música. Era o Estados Unidos mas era igualzinho a Bahia. Em Londres aprendi realmente o que é uma cidade diversa culturalmente. Cheguei em NY um dia depois de um atentado terrorista horrível em Paris e senti o medo na cara das pessoas e no tamanho das armas que soldados usavam no terminal de ônibus.

Em Londres na frente da embaixada do Equador, onde Julian Assange está exilado

Viajar não me faz melhor que ninguém. Só me faz melhor que eu mesmo. Não vamos nos enganar e achar que somos superiores só por causa disso. Ajuda muito no auto-conhecimento e numa visão mais abrangente, mas viajar não é tudo. Além disso tem tanta gente com viagem ostentação aí que parece que até que esses ensinamentos do Twain não serviram para nada.

Começamos com uma frase do Mark Twain e terminamos com outra:

“Nothing so liberalizes a man and expands the kindly instincts that nature put in him as travel and contact with many kinds of people”.

Livremente traduzindo é Nada libera tanto um homem e expande os instintos dóceis que a natureza nos dá como viajar e entrar em contato com pessoas diferentes.

E aí, para onde é sua próxima passagem?

Esse é o primeiro post da seção Blablablá aqui do Aires Buenos, onde falaremos de viagem e como elas afetam o mundo e nossa vida.

Pesquisando sobre o Mark Twain achei um texto parecidíssimo sobre viajar e preconceitos no blog 360 Meridianos.

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10 comentários

  1. Incrível o texto, Túlio, parabéns pela nova sessão do site, curti demais e vou indicar no meu blog 🙂 Viajar abre nossa cabeça, mas é preciso tomar cuidado com a ostentação, como você mesmo citou no final. Eu amo ver foto de viagem e ler blogs sobre o assunto, mas tenho ficado assustada com a padronização de certas coisas, como todo mundo postando foto num certo estilo ou falando as mesmas coisas sobre um certo lugar, sabe?

  2. Carolina

    É meio fora do tema do post, mas queria deixar uma sugestão para um futuro texto, Túlio:
    conte-nos como foi sua mudança para Buenos Aires!
    Sabemos que você trabalha na Fox, mas acho que seria legal contar sua história de quando e como recebeu a proposta para trabalhar aí, se no início ficou na dúvida “vou ou não vou” ou se topou na hora, se houve dias em que quis pegar o primeiro avião de volta para o Brasil, e quais pensamentos seus sobre Buenos Aires mudaram ao longo dos anos em que você vive aí – aspectos que antes te desagradavam e agora não mais, ou o contrário.
    Outra coisa, você é santista ou curitibano? Curiosidade pura, rs.

    • Túlio Bragança
      Author

      Oi, Carolina. Quem sabe faça um vídeo no youtube sobre isso e explico melhor! Obviamente toda mudança tem seus prós e contras, mas com o tempo a gente se acostuma. Sou mineiro de Timóteo/MG, fui criado em Santos e fiz faculdade em Curitiba! Obrigado pela sugestão. Besos

      • Carolina

        Gente, você é mineiro??
        Eu também, sou belo horizontina. Mas ao contrário de você continuo em Belo Horizonte, não fui para Buenos Aires, rs (não que eu não morra de vontade!!)
        Seu blog é ótimo, descobri-o há uns meses e hoje se tornou leitura frequente!!! Só não aproveitei todas as dicas sobre a cidade porque nas minhas curtas idas para a cidade não tive tempo para fazer tudo!
        E ficou ainda melhor com o acréscimo de Mariana ao time. Os textos dela sobre vida portenha são excelentes.
        Abraços!

        • Túlio Bragança
          Author

          Valeu, Carolina! Mineiro de Timóteo no Vale do Aço. A Mariana é ótima mesmo. Ela estava de férias, mas já volta essa semana com mais dos seus textos. Obrigado pela audiencia.

  3. Gisele Braga

    Bacana seu texto, Túlio, não aguento mais a rotina da minha vida. estou a procura de novos horizontes, amigos, conhecimentos, mas ainda não sei bem por onde começar, mas vou me encontrar. Obrigada pelas informações

    abs,

  4. Pingback: A Arte de viajar, Alain de Botton | Aires Buenos | Simplesmente tudo sobre Buenos Aires

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