De bar em bar – Jornalismo de Viagem na Prática

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A partir dessa semana, o Aires Buenos vai passar a publicar uma série de reportagens sobre a cidade feita por um grupo especial: os alunos do Curso Na Estrada – Jornalismo de Viagem na Prática. Por já termos muito tempo de estrada e um público apaixonado pela capital argentina, nosso blog foi escolhido como plataforma para publicar o trabalho dos estudantes.

O curso aconteceu no feriado de 15 de novembro de 2018 e é ministrado pelo professor Daniel Nunes Gonçalves, jornalista especializado em viagem com trabalhos publicados em veículos como o jornal O Estado de São Paulo e revistas como National Geographic, Go Outside, The Traveller e Viagem e Turismo. O curso é organizado pela Campus B e em breve terá a data de sua próxima edição divulgada também aqui no blog. A reportagem de hoje foi escrita por Isabela Cardoso.

De bar em bar – Jornalismo de Viagem na Prática

Juntar-se a um grupo organizado de Pub Crawl pode ser um programa memorável para fazer amigos e cair na balada da agitada vida noturna de Buenos Aires

Bares com cervejas artesanais, shows e milongas de tango, novas hamburguerias, pubs e baladas animadíssimos, restaurantes que servem de bife de chorizo e vinhos locais a especialidades gastronômicas do mundo todo. Gostou dessas opções? Pois isso é apenas um pouco do que a grande Buenos Aires oferece. Eu não poderia visitar a cidade sem explorar a autêntica noite argentina, principalmente no bairro do Palermo, o mais conhecido por concentrar a vida noturna. E decidi entender la verdadera movida porteña.

Quando cai a noite o bairro realmente vira uma festa, jovens por todo lado, gargalhadas para fora e bebidas para dentro. Tem programas de todo tipo, como a Glam para o público LGBT ou a boate brasileira Maluco Beleza – seu diferencial está na divisão do estilo musical conforme o andar do prédio: o piso de baixo é para argentinos e o de cima para brasileiros, cada um aproveitando ao seu gosto. E pasmem! O agito noturno só começa depois das 2h da manhã! Se no Brasil estamos acostumados a sair por volta de 22h, lá nesse horário os bares só contam com meia dúzia de gatos pingados.

Como eu não tinha amigos na cidade mas queria sair à noite no fim de semana, escolhi participar do Pub Crawl, um programa “alcoólico” que te leva para conhecer 4 bares e 1 balada durante a noite. Há um ponto de encontro inicial onde cada pessoa do grupo ganha uma pulseira de identificação e depois passa-se de um ponto a outro a pé ou de táxi providenciado pelos organizadores. Em cada bar os participantes ganham um “chupito” como boas vindas e, no final, entram gratuitamente em uma balada. Se você nunca ouviu falar do chupito, vale a pena experimentar! São minishots que misturam alguns drinks e que você tem que virar rapidamente goela adentro – como fazemos com as doses de tequila, sabe?

Cada dia da semana de Pub Crawl tem uma programação diferente, mudando também os preços –– que sempre variam de 150 a 250 pesos (equivalentes a R$15,00/R$25,00). A iniciativa existe em várias cidades do mundo (inclusive em São Paulo) e o de Buenos Aires (pubcrawlba.com) é bem organizado. Com vocação para uma interação divertida, esse tipo de turismo ostenta um poder de socialização que ultrapassa qualquer barreira de idioma.

Testei o Pub Crawl por dois dias. O primeiro tinha programação LGBT, por causa da parada gay que acontecia na cidade no mesmo dia. Talvez eu não tenha tido sorte, porque saí em um grupo de 10 pessoas não tão animadas e por bares pouco confortáveis. No segundo dia, porém, o passeio superou as expectativas. Quando parti com minha amiga às 23h, cansada do dia intenso, confesso que nos faltava ânimo. Aí a sorte virou a nosso favor. Tanto que chegamos de volta ao hotel às 5h da manhã rindo à toa, com tiaras da Minnie na cabeça e um bastão que piscava luzes de LED.

Naquela noite conheci o bar Vavok, o Burkinas e o Chupitos, com jogos e drinks de todo o tipo. Finalizei na balada Lolita, dançando ao som das músicas latinas que pouco conhecia mas que não me deixavam ficar parada. Tive a surpresa de tocarem funk brasileiro e, claro, mostrei a eles como se dança. Apesar da vontade de aprenderem, estes argentinos ainda precisam de prática no rebolado. Já no quesito paquera, você não verá a famosa “pegação” que acontece no Brasil. Os argentinos dançam para se conhecerem. Na maioria das vezes, se vê mais conversa do que beijo. Ou seja: se você pretende beijar algum(a) argentino(a), é bom criar coragem para mostrar a famosa lábia do brasileiro.

Das muitas pessoas que conheci, lembrarei do Matias, argentino e advogado, que me contou sobre ter ido estudar na Alemanha e sofreu ameaças de turcos por ter exposto sua opinião liberal. E do Pedro, um brasileiro, jovem como eu, que foi passar o feriadão em Buenos Aires com as amigas. E do Fede, um argentino que já visitou Porto Seguro e que adorou quando lhe contei sobre os outros lindos lugares que a Bahia tem.

Com tanta animação na madrugada, confesso que esqueci de alguns detalhes. O mais enriquecedor para guardar como lembrança daquela vivência, no entanto, foi o alto astral de sair bem acompanhada e de forma segura em uma cidade antes desconhecida. Conhecer outra cultura e se adaptar a ela não foi difícil, mas desafiador. Voltar para casa com amizades novas e de lugares diferentes ampliou minha forma de ver o mundo. A beleza dos luminosos nas ruas, a energia noturna, as conversas nos pubs, as baladas com música boa e a alegria contagiante dos jovens de Buenos Aires me fizeram deixar a noite de Buenos Aires com aquele gostinho de quero mais. Um dia eu volto, só pra cair na balada outra vez.

Confira todas as nossas dicas de hotéis em Buenos Aires. São vários posts com resenhas, melhores bairros e muitas outras dicas.

Se está planejando sua viagem para Buenos Aires, não deixe de contratar um bom seguro viagem. Ninguém espera que algo aconteça, mas vai que acontece. Melhor estar prevenido, não é?!

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E não deixe de conferir todos os passeios e ingressos que poderá comprar com antecedência. 😉


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