CCK e Ballena Azul

O monumental CCK ou Sobre estar dentro da Baleia Azul

Quando ainda estava no Brasil, acompanhei as notícias da inauguração do polêmico CCK. Polêmico, porque custou uma fortuna ($ 2.469 milhões de pesos, o triplo do orçamento inicial) e houve quem criticasse a ideia de batizar em vida um centro cultural com o nome da família da presidente. Como forma de protesto, muitos ainda preferem chamar o Centro Cultural Kirchner de Correo Central, já que o prédio foi sede dos Correios Argentinos entre 1928 e 2003. A verdade é que o lugar é incrível e merece uma visita, independentemente das suas tendências políticas.

A ideia de transformar o antigo Palacio de Correos y Telégrafos em centro cultural partiu do marido de Cristina e ex-presidente, Néstor Kirchner, um pouco para reviver uma nostalgia da infância. Seu pai era funcionário dos correios, e quando viajavam da terra natal Río Gallegos para a capital, o programa da família era passear por aquele prédio enorme da avenida Leandro Alem, entre Corrientes e Sarmiento.

O monumental CCK ou Sobre estar dentro da Baleia Azul

CCK e Ballena Azul

Inaugurado em maio deste ano (na época, o Aires Buenos escreveu algo sobre o Centro Cultural Kirchner), o CCK está em fase de finalização e ainda tem espaços ociosos, mas sua principal sala já está funcionando. Trata-se da Ballena Azul, sala de concertos e atual sede da Orquestra Sinfônica Nacional, que leva este nome por suas paredes externas serem azuis e arredondadas, como as de uma baleia. Dentro dela, cabem quase duas mil pessoas e um ostensivo órgão tubular alemão de 3.500 tubos.

Quem entra pela calle Sarmiento pode ver as instalações originais do edifício, mas basta cruzar o saguão principal para dar com uma parte totalmente nova, moderníssima e muito impressionante.

CCK e Ballena Azul

Parte antiga do prédio, onde funcionavam os Correios. (Foto: Luiz Apolonio)

Em agosto, quando cheguei a Buenos Aires, fui lá conhecer este que já é considerado o maior complexo cultural da América Latina. Visitei a exposição “Cuide de você”, da francesa Sophie Calle (que eu já tinha visto em São Paulo, anos atrás), conferi uma sala em homenagem à cantora Mercedes Sosa (bastante chinfrim para uma artista da sua importância) e não tive vontade de encarar a fila para entrar no antigo escritório de Evita Perón. Mas ainda faltava conhecer o principal.

No final de setembro, um mês depois da minha primeira visita, finalmente entrei na barriga da baleia azul. E entrei duas vezes no mesmo final de semana: no sábado, para ver o mais-que-esperado show de Juana Molina com Moreno Veloso (filho do Caetano); no domingo, para ouvir o milongueiro brasileiro Vitor Ramil, que amamos de paixão.

Agora, meus caros, o mais surpreendente do Ballena Azul: além da acústica perfeita, das poltronas confortáveis e da programação impecável, todos os shows são gratuitos. Valeu, titia Cris <3

CCK e Ballena Azul

A sala do lado de fora.

Antes, era preciso ir até lá para retirar o ingresso na bilheteria (e correr grande risco de perder a viagem). Agora, ao invés de enfrentar uma fila interminável, basta ficar atento à programação no site do CCK (http://www.culturalkirchner.gob.ar), criar um login com senha e, uma semana antes da atração, sempre às segundas-feiras a partir das 10h, clicar no botão “Reservar entrada”. O mesmo serve para os espetáculos das salas Argentina, Federal e La Cúpula. Cada pessoa pode reservar duas entradas informando nome, sobrenome e número de documento (passaporte também serve).

Foi o que fizemos na segunda-feira passada, ansiosos para ver a diva Juana Molina (que não pudemos ver no Ciudad Cultural Konex há algumas semanas por motivos de: fila virando a quadra). Pois imaginem meu desespero ao descobrir que, às 10h10, os ingressos já apareciam como esgotados! 1.950 pessoas chegaram antes de nós em apenas 10 minutos? Como assim? Felizmente, bastou trocar de navegador para conseguir nosso glorioso par de tíquetes. Com Vitor Ramil foi menos concorrido e pudemos sentar mais perto do palco, na 10a fileira da plateia.

CCK e Ballena Azul

A sala do lado de dentro. (Foto: divulgação)

Nem preciso dizer que foi a maior choradeira quando Ramil e Carlos Moscardini dedilharam o clássico Ramilonga. O Eli, que participou das filmagens do documentário A Linha Fria do Horizonte (aliás, conheçam aqui este projeto sensacional), ficou todo saudoso do filme e de suas raízes gaúchas. O show de Juana Molina foi explosivo, com sua voz poderosa e experimentações eletrônicas. Os velhinhos que chegaram para ouvir a bossa nova mais ou menos tranquila de Moreno Veloso ficaram eletrizados com aquela sonzêra (alguns, na verdade, foram embora sem entender nada). No início achamos uma viagem terem juntado dois artistas com propostas estéticas tão diversas, mas quando Molina convidou Moreno para as últimas três canções, sentimos que tudo casou perfeitamente.

CCK e Ballena Azul

Obra de Julio Le Parc no saguão do CCK.

Em resumo: achamos fantástica a nova sala de concertos portenha e o CCK como um todo. O lugar tem poucos meses de existência e já se firmou como um dos espaços culturais de maior importância na cidade. Ainda que alguns insistam em chamá-lo de Correo Central, para ser do contra.

Todas as quintas nosso city tour noturno Buenas Noches passa do lado desse edifício, que está sempre lindo e muito iluminado.

O CCK abre de quinta a domingo das 14h às 20h (alguns shows acontecem mais tarde) e é fácil chegar de ônibus ou de metrô (a estação Leandro Alem, última da Linha B, fica bem em frente). Outros detalhes da construção do prédio você pode ver no nosso post exclusivo sobre o Centro Cultural Kirchner.

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