Coisa que argentino gosta – Milanesa

Quem lê o título desse post pode pensar: “O que tem de mais? Brasileiro também gosta de milanesa”. Mas calma lá, quando eu digo que argentino gosta significa que ama de paixão e não consegue viver sem as benditas milanesas!

Onde nós encontramos as milanesas? Praticamente em qualquer restaurante. Elas estão lá onipresentes e fazem parte da alimentação básica dos argentos. Se o prato básico do brasileiro é arroz e feijão, o do argentino é milanesa com purê de batata.

As pessoas tem uma total adoração para com esse prato. Tanto é que uma milanesa tem várias variações. Ela pode ser pura, napolitana, provenzal, rellena ou a la suiza. A pura é sem colocar nada, a napolitana vem com queijo e presunto por cima, a provenzal tem um tempero de alho e salsinha, a rellena é recheada e enrolada com queijo e presunto e, finalmente, a la suiza é com creme branco.

Isso sem contar a suprema, que é basicamente a milanesa de frango. Ela tem uma variação chamada Suprema Maryland que é bastante incomum. Vem junto com creme de milho, um ovo frito e uma banana frita!

Sim, são muito gostosas, mas não basta de apenas uma milanesa, gente! Por que tanto estardalhaço? Tem até uma rede de restaurantes aqui chamada Club de la Milanesa, onde você encontra trocentos tipos da tal “milanga”, como muito chamam aqui.

Outro absurdo gastronômico, que na verdade é bem gostoso, é a famigerada Mila Pizza da Farola, da Avenida Cabildo. Basicamente é uma pizza de mussarela, só que a massa é substituída por uma milanesa. 

Existe também um blog de pessoas que saem pela cidade comendo milanesa napolitana e dando notas. Fazem um ranking dos melhores e avaliam vários quesitos: http://proyectonapola.blogspot.com.ar/

Quais os fatores sociológicos de tal adoração? Não sei e nem quero saber, mas sei que muitos argentinos se orgulham de serem os inventores da milanesa napolitana. Nunca entendi esse bife. Tipo, peraí! É de Milão ou de Nápoli? E ainda dizem que inventaram aqui?

Esse orgulho da invenção da milanesa dá margem para outro possível post. Coisa que argentino gosta é se orgulhar de ter inventado coisas, sejam elas importantes ou não. Seja a caneta, o sistema de impressão digital, a milanesa napolitana, o doce de leite e até mesmo o molho golf!

Coisas que argentino gosta: Mullet

Estamos oficialmente inaugurando uma nova seção no blog: Coisas que argentino gosta.

Nosso intuito é fazer um perfil psicossociológico de boteco de coisas que a gente vê muito aqui na Argentina. Obviamente o primeiro capítulo não poderia ser outro. Quem diz que o maior problema da Argentina é o seu governo está muito errado. A principal calamidade desse país é o Mullet!

Onde nos vemos: Em todo lugar, já que o mullet faz parte de outra coisa que argentino gosta: os anos 80. Esse corte de cabelo peculiar aqui ainda é uma grande tendência, mesmo com Chitãozinho e Xororó tendo percebido que essa estética era equivocada nos primórdios dos anos 90.

Quem usa: o mullet cheio e puro de raiz é um pouco difícil de encontrar. O que vemos bastante são as variações e corruptelas do mullet como o rabicó, os fios sobrando e uns rabos de cavalos desnutridos. É uma febre em todas as classes sociais, quanto mais rabicó for o mullet, mais pobre a pessoa. Os ricos detém mullets mais volumosos, sedosos e tratados com shampoo Seda Ceramidas.

Por que usam isso? Existem duas fortes escolas teóricas sobre o mullet. Uma é a influência dos ídolos. A Argentina tem um história rica em ídolos jogadores de futebol com uma cabeleira questionável. Lembremos por exemplo de Caniggia, o carrasco da copa de 90, que tinha uma proposta capilar única. Desde então, outros ídolos como o atacante Palácio vem ditando moda capilar nas massas com seus fiozinhos e rabinhos estranhos.

A segunda teoria seria a falta de espírito de porco. Ou seja, nas escolas argentinas não existem moleques mal criados e espírito de porco, tudo é muito civilizado. Por que afinal, se existisse um garoto assim, ele arrancaria o primeiro rabicó que visse na escola. Ou quem sabe até usaria uma tesoura sem pontas para fazer uma graça e tosar seu coleguinha.

Mas há esperança, amigos. Felizmente poucos os argentinos que conheço usam esse corte de cabelo. Espero ser o início de uma nova onda anti-mullet dessa juventude.