Café Rivas

4 argentinos indicam 3 bares portenhos

Uma matéria do jornal Clarín de dez anos atrás afirmava que havia mais de 11 mil estabelecimentos na categoria bares/cafés/confeitarias em Buenos Aires. Hoje, é provável que esse número tenha duplicado. Com tantas opções, poderíamos fazer infinitos recortes desse universo maravilhoso: os 100 notáveis, os 50 mais antigos, os 10 mais lindos e por aí vai.

Como eu adoro listas, pedi para 4 argentinos moradores da capital recomendarem seus lugares preferidos, e o resultado comprovou o que eu já imaginava: nenhum se repetiu!

Então, se a fila do Café Tortoni estiver grande (e ela sempre está), eis algumas dicas para inspirar suas andanças pela capital portenha.

Em tempo: ninguém perguntou, mas um dos meus preferidos é o Café Rivas (Estados Unidos 302, San Telmo), na foto em destaque 🙂

4 argentinos indicam 3 bares portenhos

Carolina Sborovsky, escritora.

Cafés e Bares

Vicente el Absurdo, numa esquina de Palermo.

É graduada em Letras pela UBA e mestre em Escrita Criativa pela Universidade Nacional de Bogotá. Esteve a cargo da editora El fin de la noche entre 2008 e 2013, pela qual editou antologias e seu romance El Bienestar. Atualmente, ministra oficinas literárias particulares e nas universidades Avellaneda e Arturo Jauretche.

1.Florida Garden (Florida 899, Centro)
Um lugar clássico e bem portenho, onde continua presente o espírito da boemia e do instituto Torquato Di Tella dos anos 60 (um dos centros culturais mais pulsantes da cidade). Persiste a tradição de tomar café em pé, no balcão, mais barato do que nas mesas. “E o café é riquísimo”, garante.

2.El Café de García (Sanabria, 3302, Villa Devoto)
Um notável, mas distante dos bairros típicos. É um daqueles cafés de antigos, com piso de azulejo, mesa de sinuca, petiscos deliciosos e um lindo gazebo na entrada para os dias de calor.

3.Vicente el Absurdo (Julián Álvarez esquina com Soler, Palermo)
“Contra todos os estereótipos do meu bairro, não é pretensioso e, inclusive, é até barato”, brinca. O proprietário, Fernando, sempre recebe bem a clientela. Destaque para a decoração do ambiente e para o pátio externo, com excelente programação musical e artística “a preços nada palermitanos”. Aos domingos há comida caseira.

Pablo Grinjot, músico e compositor.

Bares e Cafés

Vuela el pez, em Villa Crespo. Foto: Oliver Kornblihtt/AFV

Nascido em Buenos Aires, é cantor, compositor, pianista, violinista e violista, formado em Direção de Orquestra e Direção de Coral pela UCA (Pontifícia Universidade Católica Argentina). Entre seus discos estão Canciones para Criolla y Ensamble (2007), Rocha (2009) e Amor (2011). É um dos músicos retratados no filme brasileiro A Linha Fria do Horizonte.

1.Café Vinilo (Gorriti 3780, Palermo)
É o melhor lugar para ouvir música ao vivo. Em sua programação há desde celebridades da música independente até joias desconhecidas. O formato do espaço é de palco (com excelente técnica) e plateia com mesas. Servem bons vinhos e comida. O melhor é ir às sextas e aos sábados à meia-noite para ouvir música de qualidade e totalmente desconhecida do público em geral.

2.CAFF – Club Atlético Fernández Fierro (Sánchez de Bustamante 772, Abasto)
É o QG da Orquesta Típica Fernández Fierro, uma orquestra de tango que, apesar de tocar nesse estilo clássico, parece mais uma banda de rock, por sua atitude e presença no palco. Vantagens: 1) o fernet está subsidiado. 2) às quartas toca a orquestra local. Recomendadíssimo para quem quiser ouvir tango fora dos clichês “tipo exportação”.

3.Vuela el Pez (Av. Córdoba 4379, Villa Crespo)
Um dos espaços representativos da geração de bares culturais pós-crise de 2001. Quando tudo era desolação, surgiram estes lugares de resistência cultural. Quando a economia da sociedade começou a melhorar eles cresceram lindamente, sempre lutando contra a repressão burocrática municipal. Vale consultar a programação porque há “noites de poesia profunda” e “noites de rock furioso para dançar”. Buenos Aires tem vários lugares assim, agrupados em um movimento (MECA – Movimiento de Espacios Culturales y Artísticos ), que se ajudam mutuamente contra a pressão estatal. “Centro Cultural Matienzo e El Universal são outros dos meus preferidos”, enumera.

Roberto Garcia Coni, guia turístico.

Bares e Cafés

El Progreso, em Barracas.

Graduado Guia Nacional de Turismo pela Universidade de Morón, é docente de capacitação de guias no Centro Cultural Ricardo Rojas, da UBA. Especializado em arquitetura portenha, desenvolve projetos turístico-culturais em Buenos Aires, como o ciclo De Bar en Bar, que percorre um bar notável diferente por semana.

1.El Progreso de Barracas (Avenida Montes de Oca 1702, Barracas)
“É um dos meus preferidos porque permite experenciar o passado deste bairro no sul de Buenos Aires e sua relação com o Riachuelo. É um bar autêntico que soube aproximar seu público de sua história, enquanto de suas mesas é possível observar pelas janelas a rua Montes de Oca do futuro, em pleno 2016”.

2.Varela Varelita (Raúl Scalabrini Ortiz 2102, Palermo)
“É o típico ‘bar, bar’ por excelência. A freguesia é gente do bairro, mas se você vai pela primeira vez tudo certo também, o garçom vai te tratar como se você já fosse da casa”.

3.El San Bernardo (Av. Corrientes 5436, Villa Crespo)
“Tem uma relação íntima e inseparável com o bairro de Villa Crespo. Ali, jogos de cartas convivem com sinuca, ping-pong e pebolim. Os veteranos e os mais jovens compartilham o espaço, é um culto à amizade”.

Julia Tomasini, tradutora.

Bares e Cafés

El Federal, em San Telmo. Foto: Raúl Terrari/Télam

Portenha de nascimento, vive entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro, onde cursa doutorado em literatura comparada. Traduz do francês e do português, e mantém um site sobre literatura brasileira em espanhol. Já traduziu textos de Carola Saavedra, Laura Erber, José Miguel Wisnik e Vilém Flusser, entre outros, por importantes editoras argentinas.

“Adoro os cafés portenhos! São das poucas coisas que me fazem morrer de saudades de Buenos Aires quando estou no Brasil. Como estava muito difícil escolher só três, pensei em três categorias: um clássico, um novo e el de siempre”.

1.El Federal (Carlos Calvo, 599, San Telmo)
“Fica em uma esquina ensolarada de San Telmo na Carlos Calvo com a Perú. Além de ser um lindíssimo e notável café “notable”, são tantas as boas lembranças… encontrei com pessoas tão diferentes em tantos momentos diferentes da vida! Nada melhor do que marcar por lá com um amigo e pedir um café con leche y medialunas numa manhã fria de outono ou comer alguma empanada ou sándwich de lomito à noite, antes de sair”.

2.Mill (Castillo esquina com Scalabrini Ortiz, Villa Crespo).
“É um café um pouco hipster, eu diria, no centro da gentrificação do portenhíssimo bairro de Villa Crespo. Mas mesmo assim, há alguma coisa que o diferencia, uma luz especial que entra e sai pelas janelas grandes e claras. É um café muito tranquilo e gostoso para ler ou para trabalhar no computador o dia inteiro”.

3.El de siempre
“É simplesmente qualquer café de esquina que te salva nas horas de espera, que te abriga na chuva ou no inverno, onde você lê o livro que há dias leva na bolsa (ou acaba de comprar), ou começa a escrever naquele caderno ainda em branco. Às vezes é um dos “notables” e você nem conhecia, às vezes é um café de bairro que ficou parado no tempo. Como há uma probabilidade de 99,9% de que no caminho apareça algum desses cafés, eu tento evitar sentar naqueles mais anos noventa, cheios de plantas e espelhos, ou aqueles que pertencem a uma cadeia de cafés iguaizinhos. O mais legal é que aquele café de esquina qualquer está quase sempre cheio! Sempre me admiro do nosso dolce far niente portenho”.

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5 comentários

  1. Thuany Nascimento

    Holla! Quero saber se podem me dar uma ajuda, já estive em buenos aires uma vez onde fiquei hospedada no centro e por lá andei tranquilamente a noite. Estou voltando para ai agora e por ter gostado tanto da regiao do centro e porto madero a noite escolhi um hotel no bairro de San Telmo pra poder transitar tranquilamente entre eles. Só que pelo que andei lendo pela internet parece que pra noite é meio perigoso andar por San Telmo, saberia me dizer algo sobre?! To pensando em trocar de hotel desde entao! Parabens pelas postagens, me ajudaram muito em minha primeira viagem. Obrigada!

    • Túlio Bragança

      Oi, Thuany! Depende muito da rua de san Telmo. O que recomendo é só ter atencao, como em qualquer lugar

    • Mariana Sanchez
      Author

      Agora fiquei curiosa pra saber quais, Eli! 😉 Aposto que você conhece muito bem Buenos Aires e um dia ainda vai me levar pra passear por aqui!

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