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La Vermutería e a volta do vermute

Li na revistinha de bordo da Aerolíneas Argentinas (edição de outubro/2016) uma matéria que falava sobre a suposta volta dos vermutes em Buenos Aires. Na verdade, parece que o vermute voltou à moda no mundo todo, não só aqui.

O hábito de tomá-lo foi herdado dos imigrantes espanhóis e italianos, povo que aportou massivamente deste lado do rio da Prata no final do século 19 e início do 20.

Já até falamos sobre um dos vermutes mais populares da Argentina, o Amargo Obrero, geralmente servido com Coca ou refri de pomelo. Então, se você curte um trago meio amarguinho, meio doce, este post é pra você.

La Vermutería e a volta do vermute

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(Foto: La Vermutería)

O vermute nada mais é que uma bebida alcoólica à base de vinho branco e infusão ou extrato de ervas aromáticas, especialmente o absinto – o nome, aliás, vem de “wermut”, absinto em alemão.

O próprio Fernet pode ser considerado um tipo de vermute, assim como o Cynar (que leva alcachofra em sua composição). Cinzano, da Campari, é a marca mais famosa do mundo, mas a Gancia não fica atrás. Ambas made in Italy, claro.

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Mais do que uma simples bebida, trata-se de uma cultura que, com o passar das gerações, foi se perdendo nesse mundo cada vez mais apressado: fazer uma pausa para tomar um aperitivo antes do almoço ou depois do trabalho.

Praticamente todo boteco portenho serve vermute, mas um pequeno achado é o La Vermutería. A casa foi inaugurada há uns 2 anos em Almagro e vive cheia, sobretudo depois do expediente, entre as 20h e as 22h.

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La Vermutería: preços até que camaradas. (Foto: Mariana Sanchez)

“O vermute não é uma bebida para se tomar na balada, é algo para relaxar no happy hour ou para se preparar para uma refeição”, me explicou Jose Antonio, dono de La Vermutería. Segundo ele, um vermute sempre acompanha uma “picada”, ou seja, um aperitivo que pode ser uma tábua de frios, cubinhos de polenta com molho de tomate, amendoins, tortilla espanhola, etc. Os “tragos” ficam na faixa de $ 65 a 85 pesos e já acompanham algo para “picar”.

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Um Negroni para fechar o dia. (Foto: Facebook Los Galgos)

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A cobiçada torneirinha de vermute do Los Galgos. (Foto: Facebook Los Galgos)

Outro lugar ideal para um bom vermute é o bar notável Los Galgos (que também já comentamos aqui). O dono, Julián Díaz, leva a bebida tão a serio que descolou uma torneira de vermute – única de Buenos Aires até agora. De segunda a sábado, das 18h às 20h, o balcão de Los Galgos, na movimentada esquina da Lavalle com a Callao, fica apinhado de gente para aproveitar “La hora Vermú”.

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El Preferido, em Palermo. (Foto: Hoy Vermut)

Já em Palermo, a melhor pedida está desde 1952 na esquina da Borges com a Guatemala, a poucas quadras da Plaza Italia. O boteco, que está mais para armazém de secos e molhados, segue à risca a tradição vermuteira e ainda oferece pratos simples, do dia a dia, sem frescura.

Há muitas opções de bares portenhos que estão voltando à onda do vermute (alguns, na verdade, nunca a abandonaram). Para conhecer os melhores, a Cinzano criou o Hoy Vermut, mapa que reúne 30 lugares em Buenos Aires, Córdoba e Rosario onde é possível apreciar este ritual.

Mas a cada dia há um novo lugar a ser descoberto. Aliás, o badalado chef Lele Cristóbal, do Café San Juan, já anunciou que vai abrir um bar temático de “tapas” (petiscos) e “vermús”. Será em San Telmo, ainda sem data definida. A conferir, muchachos y muchachas.

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Um vermute antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor (Foto: Mariana Sanchez)

La Vermutería – Lavalle, 3780, Almagro
Los Galgos – Callao esquina com Lavalle, Centro
El Preferido – Borges 2108, Palermo

(Crédito foto em destaque: Hoy Vermut)

Leia todos os posts da Mariana na seção Vida Portenha

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