La Crespo

Ambiente pequeno e aconchegante.

É oficial. A Villa Crespo é o bairro com meus restaurantes favoritos de Buenos Aires: Café Crespín, Malvón, Salgado Alimentos, Sarkis e agora o La Crespo!

Já tinha lido muito sobre essa simpática delicatessen no blog da Mariana do Querido e no Pick Up The Fork. Cheguei a passar duas vezes na frente do La Crespo, mas ele estava fechado. Um belo domingo fizemos outra tentativa e o encontramos aberto. Que delícia!

O ambiente é super bonito e simpático. São apenas 4 mesas e por isso o atendimento é tão pessoal, feito pela dona do local. O forte do La Crespo são essas comidinhas meio brunch. O quadro negro enorme em uma das paredes mostra o menu com todas as especialidades.

O sanduíche de Hot Pastrami é um dos pedidos obrigatórios. Bem servido, sublime e com uma cebola caramelizada que faz toda a diferença.

Hot Pastrami com cebola caramelizada.

O strudel de salmão e alho-poró e outra estrela do cardápio. Massa deliciosamente folhada e recheio espetacular. Comparado com os outros pratos, o strudel é um pouco menor, mas também é mais barato: 30 pesos (preço de maio de 2012).

Strudel de salmão com alho poró já mordido!

Mas agora, o grande protagonista do La Crespo é o bagel de salmão. É qualquer coisa de outro mundo. Bem grande, serve tranquilamente duas pessoas, ainda acompanha um molhinho de creme e alcaparras. É o bagel mais bonito da cidade, meu povo!

Bagel mais bonito da cidade.

A única coisa que falta no La Crespo são as opções de bebida. Seria legal ter coisas caseiras e únicas como as limonadas ou shakes, mas você só encontra água e refrigerante. Recomendo chegar bem cedo ou no fim da tarde, depois das 16hs, já que o lugar é bem pequeno e já está ficando bem famoso.

La Crespo fica na Calle Thames, 612. Mais no Guia Óleo.

Fotos por Paulíssima.

Il ballo del mattone

Pratos gigantes

Voltei a trabalhar em Palermo, o que é ótimo já que agora posso me dar o luxo de provar vários restaurantes da região que tem um menu com preço camarada ao meio dia. Um deles é o simpático Il Ballo del Mattone, uma cantina italiana super cheia de onda e com um ambiente super original.

Com um menu de bebida e comida de 45 pesos, preços de maio de 2012, o lugar vende comida italiana com um pequeno twist de modernidade. O que me surpreendeu do lugar foi a generosidade dos pratos. Geralmente em Palermo as porções são bem justas, mas no Il Ballo del Matone o tamanho do prato é do nível ignorância.

Pedimos um nhoque quatro queijos com uma outra massa que confesso que não lembro o nome. Tudo delicioso e muito caprichado no molho, muito abundante e saboroso. De sobremesa, o já clássico Tiramisú, que entra no top 5 da cidade. Com muito mascarpone e gosto de café. Nhami!

Tiramisú

Mesmo com o atendimento não sendo aquelas maravilhas, muito leeeeeeento, deu muita vontade de voltar em alguma outra oportunidade, só que de noite, para provar as muitas outras opções de massa que não estavam no menu classe média sofre de 45 pesos. Pareceram que eram sabores muito criativos e bem longe da tradicional cozinha italiana que vemos em Buenos Aires.

Cafezinho no Il Ballo del Mattone

O Il Ballo del Mattone fica na Calle Gorriti, 5737. Mais no Guia Óleo.

Pra quem ficou pensando que conhece o nome Il Ballo del Mattone de algum lugar, a resposta está no clássico vídeo da Rita Pavone, aqui embaixo.

Il Ballo del Mattone é um baile que se dança bem junto do seu parceiro, geralmente sem sair de cima de um azulejo. Você pode dançar os outros ritmos com quem quiser, mas o Il Ballo del Mattone somente com o amor da sua vida. Bonito, né?

Fotos por Paulíssima.

Fábrica de Pizzas e o fim do Império Ugi’s

Fábrica de Pizzas, esquina da Av. Corrientes com Thames.

A Fábrica de Pizzas, que vende pizza de muzzarela por apenas 8 pesos, está matando a Ugi’s, uma das mais lendárias redes de pizzaria de Buenos Aires.

Quem é leitor de longa data do Aires Buenos conhece muito bem minha paixão pela Ugi’s.  Em 2006 ela foi minha companheira fiel em tempos de vacas magras, quando uma pizza inteira custava menos de 5 pesos. Na foto abaixo, tirada em dezembro de 2006, dá pra ver o valor da pizza: 4,80.

Mas o tempo foi cruel com a Ugi’s, que teve que ajustar seus preços de acordo com a inflação. Hoje uma pizza lá custa mais de 20 pesos. Ou seja, deixou de ser econômica. Suas várias sucursais na cidade estão fechando aos poucos. Encontrar uma Ugi’s é raridade hoje em dia. A clássica filial da Gallo com Corrientes, onde o pizzaiolo de bigode pegava o dinheiro e colocava o orégano com a mesma mão, agora é apenas um imóvel fantasma.

Realmente uma pena, já que certamente a Fábrica de Pizzas não tem metade da magia de uma bela Ugi’s.

ugis

A empanada com um ovo em cima

Em matéria de empanadas existe muito pouco de novo a ser dito. Os sabores são clássicos e as formas de fazer essa iguaria são tão tradicionais que fica difícil alguém inovar alguma coisa.

São deliciosas, mas há pouca criatividade. É tudo carne, frango, queijo e cebola, atum, humita e suas variáveis. Faz falta aquela criatividade marota brasileira em fazer sabores mais estranhos.

Algo totalmente diferente disso tudo é a empanada Carbonara da La Fachada. Uma verdadeira bomba com todos os ingredientes desse tradicional molho para massas mais um ovo em cima! Parece bizarro, mas é uma delícia! O ovo provavelmente deve ser cozido no forno junto com a empanada e o resultado é algo totalmente diferente. Repare na foto! Se você der sorte ainda pode pegar a gema molinha na empanada e dar aquela mordida que é uma explosão de sabores.

Parabéns pro La Fachada! Eles têm ainda outras opções diferentes em sabores de empanada, como presunto cru e rúcula, bacon com ameixa, alho-poró e presunto e abacaxi. Eles tem um restaurante em Palermo e outro só de delivery em Colegiales. Recomendadíssimo!

A estátua de Fangio

Todo mundo conhece a estátua de Mafalda aqui em Buenos Aires, mas poucos falam do monumento do Fangio, o super pentacampeão de Fórmula 1!

O monumento, que existe desde 2005, fica em Puerto Madero, na esquina das Avenidas Juana Manso e Azucena Villaflor, bem perto de um edifício da Mercedes Benz. Perfeito para aqueles que estão dando um passeio pelos diques! A tal estátua, que assim como a da Mafalda, é meio interativa. Afinal você pode entrar nesse cockpit maciço e tirar fotos bem babacas, como essa minha aí em cima.

El Último Elvis

“El Último Elvis” parece ser o filme argentino do momento. Selecionado por Sundance, sucesso de público, filas enormes nos cinemas e belas críticas no Clarín e La Nación.

O filme conta a história de um imitador do Elvis, que leva uma vida de trabalhador braçal de dia e de showman de noite, e toda sua dificuldade de lidar com as coisas normais da vida de um mortal. Nas vésperar do seu aniversário de 42 anos, a mesma idade que Elvis morreu, o imitador começa a repensar algumas coisas e nisso que o filme evolui.

Ao contrário de grandes blockbusters como “Um novio para mi mujer” ou “El secreto de sus ojos”, “El Último Elvis” não é tão comercial assim, o que faz a gente estranhar tamanho sucesso. O filme é um tanto quanto lento, arrastado e demora para começar de vez. Porém, a história incomum, os personagens bizarros imitadores de grandes astros do rock, a direção de Armando Bo e a performance do ator principal, John Mc Inerny, um arquiteto de La Plata que tem uma banda cover do Rei do Rock e acabou se tornando protagonista, fazem desse filme algo muito diferente do que estamos acostumados no cinema argentino.

30 anos da Guerra das Malvinas

Segunda-feira, dia 2 de abril, foi feriado aqui na Argentina. O país todo lembrou os 30 anos do início da Guerra das Malvinas, esse conflito que matou vários argentinos e mas ainda está muito vivo em discussões em todo  opaís.

Raramento dou a minha opinião sobre assuntos argentinos, esse post é uma exceção. Acho que sempre me falta entender todo o contexto já que não sou daqui, ainda mais sobre a causa das Malvinas. Sei que esse assunto vai muito além do racional. Mexe muito com a paixão e orgulho de um povo inteiro.

Imagine que você convidou uma visita para sua casa e de repente essa pessoa começa a opinar sobre assuntos da sua família, dizendo que seu pai não ajuda a lavar a louça, seu irmão é um idiota, apontando vários problemas. Certeza você vai querer dar uns petelecos nesse cara e vai dizer que ele não entende de nada, melhor ficar calado. Enfim, às vezes não quero ser essa visita que dá opinões inconvenientes.

Porém, é muito difícil ficar calado ao ler e ver algumas coisas que estão onipresentes por aqui. Ler frases como “As Malvinas sempre foram argentinas” é algo estranho, quando sei que os ingleses estão lá desde 1833 e desde então já tiveram várias e várias gerações de kelpers. O povo mora lá e não quer ser argentino e ponto. Mas vou fazer o quê? Começar a discutir com alguém vai me levar a algum lugar? Prefito ficar calado.

Outra coisa que acho estranho é a defesa de uma causa que foi claramente um estratégia de propaganda  de um ditador bêbado. Sim, Galtieri fracassou lindamente com a guerra, mas não podemos negar que aumentou muito sua popularidade e conseguiu apoio até de quem sempre foi contra ele com essa lambança. Eu sei, o assunto das Malvinas é muito anterior a guerra, mas depois de 1982 ele tomou outra dimensão.

Será que a controversa Cristina Kirchner não está fazendo o mesmo? Chamando a atenção e batendo na tecla das Malvinas exatamente para desviar a agenda pública? Ou será que ela não tem mais nada para se preocupar? Inflação galopante, institutos oficiais que dão uma maquiada na inflação, acusações de corrupção, tragédias públicas como as do trem do Once, um processo intenso de venezuelização e brigas intermináveis com o prefeito de Buenos Aires já não são suficientes?

Em seu discurso dessa segunda, Cristina pede diálogo para discutir a soberania. O irônico é que sobre os assuntos internos ela é a última a ser transparente e realmente dialogar com a população sobre o que realmente importa. Não fala com a imprensa diretamente, mas só através de discursos, e também não fala com o prefeito de Buenos Aires que pede uma reunião com a toda poderosa.

Enfim, é tudo nisso que penso quando falam em Malvinas. É apenas a opinião inconveniente de uma visita que sabe muito bem que esse assunto não deve ser nada simples para um argentino.