Não sei exatamente as estatísticas, mas às vezes parece que cada quarteirão de Buenos Aires tem um Café!
Tem de todo tipo. Os clássicos notáveis, os mais moderninhos, os 574 mil Starbucks e até mesmo uns ambulantes com garrafas térmicas na rua.
Porém, quando a gente entra num Café às vezes não entende o que existe diferente entre todas as variedades. Por exemplo, o “cortado” leva leite, mas qual a diferença dele com “café con leche”? A confusão aumenta mais ao descobrir que também existe o “Lágrima”, que é outra corruptela dessa mistura. Sem contar, é claro, os capuccinos, americanos, machiatos, expresso, mocha e etc.
O site da revista Brando fez um infográfico muito elucidativo sobre o assunto (veja aqui). Vale a pena conferir antes de chamar o garçom e fazer seu pedido.
Hoje comprando um belo Cafe Mocha no Starbucks aqui da Av. Callao me dei conta que completo um mês da segunda temporada de Buenos Aires.
Nem preciso dizer que passou super rápido. Quando vi já estava eu aqui reclamando e adorando as mesmas coisas, já me sentindo super em casa em casa, no trabalho e mais ainda com os amigos. Enfim, me sentindo em casa na cidade.
Não postei aqui tanto como gostaria já que o trabalha anda ocupando muitas horas dos meus dias, mas as responsabilidades são muitas. Também ainda não tenho tudo que gostaria em casa, os móveis e a Directv para ver aquela novelinha e os jogos do Brasileirão.
Sim, já me questionei da mudança mas também já agradeci aos céus por conhecer lugares, sabores e pessoas novas num mês super intenso!
Ernesto Sabato completaria 100 anos no próximo dia 24 de junho. Para homenagear esse escritor, que além de genial era um tremendo pessimista, a Secretaria de Cultura de Buenos Aires resolveu fazer um mega mural.
Fica no Edificio Del Plata, sede do Banco Ciudad, bem ali na 9 de Julio, há poucas quadras do Obelisco. Lembro que foi bem aí que tentaram assaltar uma vez. Talvez por isso quase nunca passo por essas bandas.
De qualquer maneira é uma linda homenagem e esperamos que os motoristas que trafegam pelo centro não batam seus carros ao olhar pra ela.
Todo mundo já conhece o Liniers da sua tirinha Macanudo, que sai diariamente no jornal La Nación. De quando em quando ele junta tudo num livro de mesmo nome, que se não me engano já está no sétimo volume diferente. O cara é super hype.
De uns tempos pra cá ele começou a fazer entrevistas desenhadas pro jornal. Começou com o Calamaro, artista que também teve uma capa de disco desenhada pelo Liniers, e a última foi dos Les Luthiers, um mega grupo com trocentos anos de estrada que une música e humor. Ele desenha não só as respostas e os causos dos entrevistados, mas também todos os bastidores, o que é divertidíssimo.
Buenos Aires está cheia de opções para quem quer comer “gostosinho”. Não, não estamos falando de casas de reputação duvidosa como a Pelvis, mas sim daqueles restaurantes que capricham no visual, nas comidas e, obviamente, no preço das contas. “La Panadería de Pablo” é mais ou menos assim e digo com toda certeza que vale a pena.
O forte da Panadería é o brunch, ou seja, aquela comida que não tem um horário muito certo para se comer. Outros locais do mesmo estilona cidade são o Oui Oui e o Tea Connection, por exemplo.
Num lugar preocupadíssimo com o design das coisas, que mais parece uma mega cozinha industrial, são servidos vários tipos de pães, bruschettas, carnes e até mesmo media-lunas. O meu pedido foi uma bruschetta de jamón crudo e depois umas almôndegas caprichadas. Nota 10! Talvez a bruschetta podia ser maior, mas estava uma belezura. Uns gringos estranhos da mesa ao lado pediram um carne, que pareceu um tanto pequena para uma fome normal. Sim, o serviço é lento, demoram demais pra trazer as coisas, mas nada além do acostumado atendimento porteño.
“La Panadería de Pablo” é um belo achado, ainda mais para um domingão turistando na feira de San Telmo. Essa verdadeira delícia em plena Calle Defensa 269, há duas quadras da Plaza de Mayo e bem na rua da feirinha.
O tal Pablo da Panadería é uma espécia de Olivier Anquier argentino, uma celebridade culinária que tem programas na Tv a Cabo.
Buenos Aires é linda, suas ruas planejadas são belíssimas, o céu é mais azul e a vida, pelo menos a minha, um pouco mais tranquila.
Ok, mas esse blablablá de poesia da vida tem um limite. Estar nessa cidade é como namorar uma moça que você ama de paixão, mas sabe que tem seus defeitos. A maioria dos dias é uma beleza, mas em alguns deles você acorda querendo pedir o divórcio.
Digo isso principalmente pelo “Piquete Way Of Life” dessa cidade. Ninguém sabe sentar e conversar, dialogar, buscar um acordo. É muito mais fácil (?) fazer a porra de um piquete, parar uma rua, queimar pneus, balançar bandeira e atrapalhar a vida de milhares de pessoas que não tem nada a ver com isso. É triste, mas parece que as pessoas não sabem negociar.
E a polícia não faz nada. Não reprime. Apenas assiste. Foi tanta repressão na ditadura que hoje em dia está proibido reprimir qualquer coisa.
Morando onde eu moro, um verdadeiro point de protestos da cidade, isso fica ainda mais crônico. Tem dias que acordo com piquete, batucadas e protestos que começam muito cedo. Hoje, pleno sábado, já rola um protesto pelo Hotel Bauen já faz umas 5 horas. (Barbão nos comentários avisa que na verdade era a convenção do partido socialista).
Fiquei lembrando de toda a zona que foi a briga contra as “papeleras” uruguaias. Cortaram ruas, bloquearam estradas, bloquearam até a principal ponte que ligava Argentina ao Uruguai. Foi uma briga que durou anos e virou até questão de Estado. Sabe o que tudo isso causou? NADA. A fábrica papeleira que fica no Uruguai continua funcionando na boa e foi provado que ela não poluía o rio que divide os dois países.
Desde que cheguei a Buenos Aires este cartaz de filme anda me provocando. O nome me intrigava por se tratar de um belíssimo e clássico clichê de desculpas masculinas. Pois bem, esse fim de semana sobrou tempo e fui em um dos Cinemas INCAA ver o que me esperava.
A história é um misto de humor, surrealismo e muita filosofia. Ernesto Zambrana, o personagem principal que está entre os 60 e 70 anos, recebe uma proposta muito bizarra de uma criatura misteriosa: um milhão de dólares para ele voltar a viver 10 anos de algum período de sua vida com a mente que ele tem hoje.
O filme, baseado num conto do escritor Alberto Laiseca, brinca muito com a filosofia e o humor negro. O próprio Laiseca, dono de um bigode enorme, aparece em muitos momentos comentando sobre a história, numa espécie de bastidores de algo que está ainda está acontecendo, mostrando todos os detalhes que fizeram escrever o conto.
Pela narrativa e o próprio enredo da história é praticamente impossível que quem está assistindo também não fique pensando a qual época gostaria de voltar. Eu mesmo imaginei direitinho o momento que iria escolher.
Mas na história, como todo conto de humor pede, tudo dá errado e Ernesto só se ferra. Ele tenta reinventar o programa Big Brother, evitar o 11 de setembro, grava uma música dos Beatles como se fosse sua, mas mesmo assim nunca consegue sucesso plena. Fica todo o questionamento se valeria a pena reviver tudo de novo para corrigir certas coisas.
E você, se ganhasse um milhão de dólares para reviver dez anos da sua vida, para onde iria?
Ernesto, com o cidadão estranho que caminha pelas épocas e faz essa proposta bizarra.
Nem precisa dizer que empanadas são um verdadeiro clássico de Buenos Aires. Ao lado do bife de chorizo e do dulce de leche, ela ajuda a compor a santa trindade gastronômica da cidade.
O que não é muito comum e não se encontra em todo lugar é a tal da empanada frita. Basicamente a mesma coisa, só que frita. Uma espécie de pastel brasileiro com muito recheio, ao contrário daqueles pastéis de vento que você passa meia hora mordendo pra encontrar um saborzinho.
Resolvi provar as empanadas fritas da clássica pizzaria Guerrín. Em plena Avenida Corrientes, bem na parte dos teatros e livrarias conhecido como a Broadway Porteña, a Guerrín oferece pizzas e empanadas de CALIDAD desde 1932.
O pedido foi tenso, 30 empanadas. A princípio achei o preço caro: 4 pesos cada uma. Mas na primeira mordida mudei de ideia! É uma bomba! Uma verdadeira explosão de sabores com um recheio caprichado e uma massa deliciosa. Não é nada light, é gorduroso como um pastelão, mas me diga o que na vida que é bom e não engorda?
Recomendadíssimo, mesmo tendo que ir buscar no balcão porque os champz não tem serviço de Delivery.