Como se locomover em Buenos Aires – Jornalismo de Viagem na Prática

Esse já é o 3º post aqui do blog que compartilha as reportagens dos alunos do  Curso Na Estrada – Jornalismo de Viagem na Prática. Dessa vez vai ser algo de utilidade pública para quem ainda não sabe muito bem como se locomover em Buenos Aires. A Camila Sampaio vai contar as impressões dela nos dias que esteve na capital portenha.

Caso queira conferir as demais reportagens, um é sobre o Pub Crawl em Buenos Aires enquanto outra analisa as diferentes linhas do Buenos Aires Bus, que é a Sobre dois andares em movimento.

Como se locomover em Buenos Aires – Jornalismo de Viagem na Prática

Uma das maiores áreas metropolitanas da América do Sul, Buenos Aires é a capital e mais populosa cidade da Argentina, possuindo cerca de 2,89 milhões de habitantes. Diante daquela vastidão plana avistada do alto do avião, é inevitável se questionar: afinal, como é possível se deslocar ali?

Apesar do tamanho amedrontador, a metrópole tem uma rede de transportes eficiente. São cerca de 37 mil unidades de táxis, 200 linhas de ônibus e 6 linhas de metrô com 55,6 km para atender a demanda dos portenhos e turistas. Serviços de transporte privado por aplicativos, como o Uber, ainda são embrionários.

Para explorar o sistema de transporte com tudo o que ele oferece, testamos os quatro meios de transporte principais durante 6 dias de novembro de 2018. Confira, a seguir, as nossas impressões.

Uber

Foi a primeira experiência que vivi em Buenos Aires. Após 4h30 de voo de Salvador até lá, minha opção para sair do Aeroporto Internacional de Ezeiza foi solicitar um Uber. Para quem está sem o pacote de internet, como era o meu caso, é só conectar à rede wi-fi disponível no aeroporto e esperar no ponto informal onde os motoristas de Uber costumam parar – o funcionário do Posto de Informações pode ajudar mostrando o local exato.

uber saindo de guarulhos

 O atencioso motorista do Uber, Jesus Antônio, que entendia perfeitamente meu portunhol, conhecia o Brasil e chegou até a cantar algumas músicas do grupo de axé É o Tchan quando soube que eu era da Bahia. Fomos cantando algumas músicas da banda e também da cantora Ivete Sangalo durante o trajeto para o hotel.

O aplicativo opera desde abril de 2016 na cidade. Existe um impasse da prefeitura para regularização e muitos motoristas pedem para algum dos passageiros sentar-se no banco da frente para evitar retaliações dos taxistas.

Embora tenha dado certo pegar o Uber no aeroporto, na cidade a coisa foi diferente. Pela demora e pelos cancelamentos das corridas solicitadas pelo aplicativo, deduzi que na região central vale mais a pena andar de táxi. Os preços são parecidos. Outro inconveniente é que os motoristas de Uber – assim como parte expressiva dos comerciantes – preferem pagamentos em dinheiro.

Devido à inflação na Argentina, que tem crescido muito rapidamente, não tem valido a pena para os motoristas, empresários e trabalhadores do comércio aceitarem pagamentos em cartão de crédito. Muitos motoristas de Uber cancelam a corrida ao notarem que o pagamento seria feito com cartão de crédito. Andar com dinheiro vivo, portanto, é essencial – mesmo em restaurantes.

Táxi

 Guillermo Tomoyose

Diferente de alguns lugares do mundo, os valores dos táxis não são absurdos e chegam a ser bem parecidos com os valores cobrados pelos motoristas que trabalham com aplicativos como o Uber. Por isso o táxi é um meio de transporte bem utilizado por quem prefere veículos privados ao invés de coletivos.

Os táxis portenhos distinguem-se por estarem pintados de preto e com o teto amarelo. Quando há uma placa luminosa acesa dentro do veículo com o nome “libre”, ela identifica que o carro está disponível para iniciar a corrida.

No domingo pela manhã, peguei um táxi para conhecer a Feira de San Telmo, onde várias antiguidades e peças de artesanato são encontradas. Após o passeio pela feira, peguei outro táxi em um percurso curto e rápido para conhecer a rua Caminito, principal ponto turístico do Bairro La Boca. Nenhuma das viagens foi cara e os motoristas se mostraram, no mínimo, cordiais.

Metrô

O metrô é a forma mais rápida de chegar a qualquer lugar em Buenos Aires. As seis linhas estão conectadas com as principais avenidas e estações de trens e ônibus. A cidade possui uma vasta rede subterrânea cujo primeiro trecho foi inaugurado em 1913, sendo a primeira de seu tipo em todo o Hemisfério Sul.

O transporte funciona de segunda a sábado das 5h às 23h, e aos domingos e feriados, das 8h até cerca das 22h.

Camila Sampaio

O Metrô de Buenos Aires abre espaço para as mais diferentes formas de cultura. É possível encontrar pinturas e murais em suas estações, além de haver espaço para apresentação de músicos dentro e fora dos vagões. Em uma dessas performances, tive a oportunidade de presenciar um artista que estava tocando saxofone dentro do vagão. Ao perceber o grupo de passageiros do Brasil, tocou um trecho da música Garota de Ipanema em troca de alguma gorjeta.

Como todo metrô de cidade grande, vive cheio nos horários de pico. Para andar de metrô é simples. Basta adquirir o cartão magnético, a Tarjeta SUBE, nas estações e em pontos comerciais chamados de kioscos espalhados pelas ruas. Os pontos para compra são os mesmos para recargas: máquinas disponíveis para efetuar a recarga no valor desejado. A vantagem de possuir o cartão é mais a facilidade de não ter que guardar muitas moedas e ficar colocando uma por uma na máquina do que a economia em si, afinal, mesmo com alguns planos com tarifas mais baratas, a economia é pouca e faz mais diferença para quem é local e não tanto para os turistas!

Ônibus

show u2 argentina 2017 buenos aires

Outra opção utilizada em Buenos Aires são os ônibus municipais, que circulam por aproximadamente 200 linhas por toda a cidade.

Com um visual meio vintage, com pinturas coloridas, partes cromadas, e cortininhas internas com franjas, os ônibus possuem identificação com números de rota e identificação da origem e do destino. No ônibus que peguei, a subida era pela porta da frente – mas há variações.

Vale lembrar que os ônibus portenhos não possuem cobrador. Ao entrar no coletivo o motorista irá perguntar qual o destino indicado. As tarifas do ônibus serão cobradas conforme a quilometragem percorrida. Curiosamente, os ônibus não aceitam notas de dinheiro, apenas moedas ou o cartão SUBE. Melhor estar precavido antes de embarcar.

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